LUIZ GERALDO MAZZA
O show emperrado
A algaravia da CPI dos ônibus, mais as auditagens do Tribunal de Contas e da Urbs relativas às concessões, levou o Judiciário ontem a dar um breque no lado espetacular e político da questão e colocar uma dimensão técnica no problema: as permissionárias estão desobrigadas de fazer a renovação da frota. O cartel cobra em duas ações específicas o cumprimento do contrato firmado, a tutela antecipada para não adquirir mais 120 veículos como pretendia a gerenciadora do sistema e, sobretudo, segurança jurídica diante do fato de que tanto o TC, em sua auditagem preliminar, como a Urbs insistem em negar a legalidade da licitação havida, o que deixa o cartel num mato sem cachorro.
Aquela atmosfera de fim de mundo - em função também dos movimentos sociais com seus pleitos de anulação da concorrência e baixa de tarifas - começa a ganhar um tom de racionalidade quando tudo tendia a um aumento da pressão e, consequentemente, mais espetáculo com as promessas inconsequentes de ultimato ao sistema. Muita gente ao mesmo tempo surfando no tema só poderia dar nisso.
PCC legal
Estamos num ciclo liberticida: universidade catarinense, sob o objetivo de ouvir os sentenciados, dá espaço ao delinquente italiano Cesare Batisti para deitar falação; não poucos mestres acadêmicos andam a defender como movimento social legítimo, entre eles o ministro Gilberto Carvalho, o Black Bloc, como expressão da cidadania ante o Estado opressor. De repente a única e verdadeira guerrilha do momento, a do PCC e Comando Vermelho, é legitimada. Contradição em termos é descriminalizar o PCC em nome da liberdade.
Blitz
Ao lado da operação gigante na Vila das Torres (Nhapecami), área de vários assassinatos recentes, houve outra menor em Curitiba, anteontem, na Praça Osório entrada da Avenida Cabral: uma das constantes nas abordagens é a confusão possível entre cidadão e "elemento" na forma ríspida do contato aos gritos de "mãos no pescoço".
Sofisticação
A facilidade com que operam os desmanches levou-os a sofisticações como os de Colombo e outro na divisa com o Atuba com garagens elevadas. Houvesse maior prensa em cima do delito, como se viu na operação do Gaeco que capturou 21 policiais e entre eles três delegados, a rapaziada não ousaria tanto ao ponto de colocar lojas de autopeças ao lado do cafofo. Se a polícia atuar desmancha um por dia na Região Metropolitana e isso sem grande esforço.
Comec
A licitação do sistema metropolitano pela Comec fica para 2014. Urge cuidados para evitar o que se deu em Curitiba que pode virar uma batalha jurídica de traço interminável como tudo está a evidenciar.
Folclore
O metrô de Curitiba comemorou 15 anos, aquele da casa de espetáculos da avenida Cabral, o verdadeiro. O outro, de Curitiba, sai das pranchas dentro de 15 anos na finalização da Linha Verde e depois que o aquário de Paranaguá for inaugurado junto com a ponte sobre a baia de Guaratuba. Possivelmente por aí os políticos brasileiros terão vergonha na cara.
Gaievski
Justiça negou liberdade a Gaievski, ex-assessor da Casa Civil, sob a alegação de que pode pressionar testemunhas como seus familiares e advogado fazem.
Conselho
O aconselhamento (e não ordem) do CNJ ao TJ para que não aprovasse os novos 25 desembargadores quebraria aquele mínimo de sincronia que deve existir entre o primeiro e segundo graus, já que se constatou que em 26 comarcas de 60 municípios não há juiz titular funcionando.





