LUIZ GERALDO MAZZA
O guardião violador
Há duas discussões no Brasil e no mundo: a das biografias não autorizadas e o poder da espionagem, derivações de um mesmo tema, o da solidão do homem comum na sociedade massiva. Um marido, que deseja vigiar a ex-esposa, contrata um desses ouvidores que rastreiam conversas telefônicas. Evidentemente não se trata de um objetivo do Obama, ocupado com terrores menos domésticos.
No tempo de Requião, fase áurea das bravatas como aquela das empreiteiras, cujos diretores prometeu prender, havia o "guardião", um equipamento habilitado a ouvir 700 papos telefônicos simultâneos. Pois com todo esse poder - é claro que é preciso saber quais os seus alvos, de repente voltados para inimigos da aldeia - até hoje nada se soube do assassinato da menina Rachel Genofre, há cinco anos, como dificilmente se saberá agora do episódio mais recente de outra garota, a Tayná, de Colombo.
Se a tecnologia de ponta, caríssima ao bolso do contribuinte, ficar focada em quisilhas provincianas há de tratar-se de uma sub-utilização do equipamento, uma traição dos deveres de Estado. Estamos hoje com o terror implantado nos cárceres superlotados e à cada rebelião, como essa mais recente do 12º Distrito em Santa Felicidade, fecharam acordos de transferência de cinco dos presos. E assim se dá no Brasil inteiro com a sensação cada vez mais nítida que o Estado quer abrir mão do único e necessário monopólio estatal - o das armas, prova de falência e deserção. Estado zero, Black Bloc 10.
Monotonia
Virou moda fechar estradas: agora é a de Alexandra-Matinhos (desde a sua inauguração revela problemas que a obrigaram ao bloqueio), cujos moradores do entorno não se conforma com a frequência dos acidentes fatais e pedem melhoria na sinalização e redutores de velocidade.
Mateus
Quem pariu Mateus que o embale. Anteontem havia euforia em função do despejo de bilhões para o metrô e mobilidade urbana, mas ontem, depois do oba oba, os cenhos estavam franzidos: e agora turma como faremos o tatuzão, logo nós que levamos dois anos para desalinhar estações-tubo, quase o mesmo prazo para reformar a Rodoferroviária e três décadas para tocar a Linha Verde?
Bloqueios
O descumprimento da norma mínima de investimento em saúde mais a infração dos gastos com pessoal persistem como bloqueios à liberação do Paraná para receber recursos da União. A engenharia do jeitinho entrou em cena. Mas lá na frente a Secretaria do Tesouro Nacional pode chiar outra vez.
Folclore
O vereador Professor Galdino, em defesa dos animais como experimentos, oferece-se como cobaia. Ninguém o aceita até porque no Brasil não se faz o teste exigido em países civilizados, isso na hora das eleições, contra os primatas da demagogia.
Rádios
Está para sair regulação presidencial que facilita às emissoras AM condições tecnológicas iguais à da FM. Antes se falava na digitalização do sistema, mas agora a notícia é mais simplificada.
Vendas
Previsão de vendas no Natal nos supermercados paranaenses estima crescimento de 17% quando a média nacional esperada seria de 14,9%. Com a liberação do 13º se terá noção melhor do problema, embora 70% dos dispêndios devam voltar-se ao pagamento de dívidas.
Promessas
Depois do tatuzão temos agora, para reduzir superlotação dos presídios, a promessa de mais 6 mil vagas no sistema carcerário em 2014. Metrô e obras como a transposição do São Francisco são a marca do governo federal.
Cobaias
DataFolha apurou que 66% dos paulistas admitem experimentos com ratos, mas apenas 29% a aceitam nos cães. Nem com o Mickey Mouse ratos se valorizaram.





