LUIZ GERALDO MAZZA
Integridade das praças
Raramente há em Curitiba uma reação pública, articulada, contra a mutilação de uma praça como se deu agora com a do Japão que se revelou vulnerável à operação do macro-ônibus que faz a ligação norte-sul. Um erro brutal de planejamento conjunto da Urbs e Ippuc causou o problema, já que manobrar na área exigiria prejuízos à integridade do logradouro. Também se falou que a reforma da Arena da Baixada poderia sacrificar parte da praça, uma das maiores da cidade, a Afonso Botelho.
Normal na história da cidade é ocupar praça por estádios de futebol e também igrejas. Raro é o clube de futebol se transformar em praça como se deu no bairro da Galícia com o Estádio Manoel Aranha virando 29 de Março ou ainda um templo, o de Nossa Senhora de Guadalupe, ocupar o espaço há muito transformado em Terminal Rodoviário Metropolitano.
O esforço de gestões como a de Ivo Arzua e Jaime Lerner, ao lado da implantação de parques, gerou a consciência de que era indispensável preservar espaços nos bairros mais recentes. Vez por outra até mudanças na circulação, tal qual se deu com a pracinha do Batel, geram reações coletivas, o que é um bom sinal de vivenciamento urbano.
Bonilha
Há um recurso, um tanto quanto tardio, contra a investidura de Ivan Bonilha como conselheiro do Tribunal de Contas. À época alguns juristas entendiam que a vaga estava sub-judice e pertencente a Maurício Requião e que dependia do STF que a examinava. Curioso é que o Tribunal de Justiça entendia que a designação do irmão do governador era normal e sem contestação e depois tomou decisão diametralmente oposta com o novo ocupante.
Voando
O governo quer que a oposição procure a Infraero para saber das andanças do governador no uso de aviões. O cinismo não tem limites. O segredo do pedágio (que negociações sustentam obras atuais) é mais rígido ainda. É pura antinomia uma cláusula de confidencialidade em atos públicos.
Unidade temporária
Ontem foi um dia de armístico entre grupos rivais da política quando a presidente Dilma Rousseff trouxe recursos tanto para a prefeitura da Capital nos projetos de mobilidade urbana quanto outros de abrangência estadual. Como os feitos da Região Metropolitana são responsabilidade estadual há um enlace obrigatório de corresponsabilidade. Quem souber melhor tirar partido das circunstâncias (Beto ou Gleisi) levará certamente vantagens. O PT começou a divulgar Gleisi com mais assiduidade.
Folclore
Governo estadual insiste que é boicotado pelo federal, mas há a réplica de que o nosso não cumpre a Lei de Responsabilidade Fiscal e gasta demais. Em 1955 atribuía-se a Lupion o fato de haver trabalhado para Adhemar de Barros e não por Juscelino, o que nunca se comprovou, mas servia para fundamentar um certo distanciamento. Nesse pleito tivemos coisas anômalas como a vitória de Plínio Salgado, integralista, ultradireita, em Curitiba e Ponta Grossa.
Piracema
De 1º de novembro ao fim de fevereiro de 2014 a piracema obrigará a guarda da pesca nos rios paranaenses pela polícia ambiental.
Abono
O décimo terceiro, segundo o Dieese, injeta quase R$ 8 bi no Paraná (R$ 7,8 bi), 2,9% do PIB estadual, dos quais R$ 1,3 bi só dos servidores estaduais.
Autorização
Autorizado pelo CNJ e TJ, o governo Beto Richa tem acesso a R$ 500 milhões de depósitos judiciais tributários. Como o coxa, sai do sufoco, mas não se salva.
Carona
Beto pegou uma carona no metrô: só poderia associar-se se livre das amarras e com isso teve seu lucro. Vinda de Dilma boa para todos.





