LUIZ GERALDO MAZZA
Que nem caranguejo
Em vários indicadores sociais andamos mal, mas nenhum é tão forte quanto o deficit de leitos hospitalares: há três anos tínhamos posição melhor já que contávamos com 22.608 unidades ao passo que agora contabilizamos 21.657, como a reportagem desta FOLHA o demonstrou, num declínio de 951 leitos, que sumiram, volatizaram-se. É o desenvolvimento caranguejo que anda pra trás. Vejam nessa contabilidade trágica o peso do Hospital de Clínicas, o único não sustentado por verbas federais no pagamento do pessoal, que numa tacada perdeu neste ano cem leitos por falta de condições operacionais.
As regionais tentam simplificar o drama das migrações em busca de atendimento hospitalar quando montam as unidades especializadas como as temos em Londrina, Maringá, Ponta Grossa, Paranaguá. Se fossem bem equipadas e suficientes boa parte da romaria seria estancada. Imaginem o drama da sobrecarga pelo corte de leitos como os do HC com funções suprarregionais com pacientes não apenas do interior como de cidades paulistas, catarinenses e sul matogrossenses. Em 15 das 22 regionais paranaenses houve perda de leitos. Entidades mantenedoras acusam a defasagem óbvia dos valores pagos pelo sistema como causa, já o governo estadual, como faz com os números da violência, afirma que o registro de internações foi mantido e que construirá ou ampliará mais hospitais.
Como o hoje é impossível e verificável, aposta-se no amanhã, depois da reeleição, afinal tida como certa.
Tayná
Mais comprometimento no caso Tayná, em termos de competência da área de segurança: a Justiça determinou a soltura imediata dos presos (o delegado Silvan Rodney Pereira, dentre eles) acusados de arrancar confissão à força dos quatro apontados como autores do crime.
O curioso é que a apuração da tortura se tornou mais dominante do que o caso do assassinato da menina, até aqui sem qualquer progresso na investigação, e tendendo a reproduzir o episódio de Rachel Genofre, cujo corpo foi encontrado numa mala na rodoferroviária há cinco anos, evento também sem solução.
Mediação
Está faltando potencial de diálogo nessa questão da superlotação das prisões entre o governo e as secretarias de Segurança e Justiça e que marcou ontem mais um capítulo com a rebelião do 12º Distrito, o de Santa Felicidade, a segunda em menos de uma semana. O sindicato dos policiais está radical e promove bloqueios à chegada de mais detentos e às visitas de familiares, o que por sua vez alimenta a revolta dos presos. É um círculo vicioso que precisa ser cortado. É mais urgente que cortar fitas de inaugurações virtuais e feitos fantasiosos nas viagens de oba oba ao interior.
Eficiência
Há casos de eficiência policial, como por exemplo os decorrentes da investigação dos Gaiewski: depois do advogado e de um filho, empenhados na faina de neutralizar testemunhas, prenderam mais dois irmãos da mesma causa. É evidente que a origem partidária não tem nada a ver até porque o ex-assessor da ministra Gleisi Hoffmann foi expulso do PT.
Folclore
Quando Rubens Ricupero num descuido afirmou que o positivo se divulgava do governo FHC e o negativo se ocultava petistas acharam que ganhariam a eleição, o que não aconteceu. Como agora entenderam que as ações de Ezequias Moreira - aquele que drenou a grana da sogra para sua conta pessoal - seriam as exéquias do governo Richa como de resto o feito de Gaiewski não anula Gleisi...
Desmilitarização
Hoje na Universidade Federal instalação do Comitê pela desmilitarização da polícia e da política, também bandeira dos Black Blocs.





