LUIZ GERALDO MAZZA
Malhando Judas
Se estivéssemos na Semana Santa o sábado de Aleluia pegaria como Judas o ex-presidente do TJ Clayton Camargo, e seu filho, o conselheiro do TC, Fabio Camargo. Com a adversidade vivida pelos dois, um pelas denúncias acumuladas e outro por derivações de atos que precederam sua escolha todo mundo que em nível normal é acanhado, quando não omisso, virou machão, clima de linchamento com a Ku-Klux-Klan substituindo os "Black Bloc".
Na sequência do ato do CNJ, que bloqueou o acesso do Paraná aos depósitos judiciais, o deputado líder do PT, Elton Welter, afirma que sofreu pressão (a insinuação é clara de que outros teriam enfrentado a mesma situação), mas não explica porque não denunciou o fato imediatamente e só fez agora quando afinal se acumulam os problemas negativos do desembargador e do conselheiro. O outro petista, ex-líder da bancada, Enio Verri, declara que não viu nada disso e pelo contrário votou com a maioria em Fabio Camargo.
O clima interno de linchamento é visível, percebe-se na atmosfera tensa e o que é pior para os dois a inclinação do CNJ, parte baseada em fatos e parte em suposições, tende a ser pela condenação do desembargador e por extensão vindo a alcançar o filho. A essa altura não adianta o governador e o presidente do Legislativo estadual, Valdir Rossoni, pretextarem a inexistência de nexo causal entre os fatos contingenciados como estão fazendo. O pior é que nem os amigos e companheiros dos dois, o desembargador e o conselheiro, antes tão festejados, se mostram constrangidos em esboçar o mínimo ato de solidariedade.
Quem é julgada nesse episódio é também a sociedade paranaense bem como as suas instituições sempre comprometidas pela acomodação e o compadrio. O pior é que não vai se emendar com uma lição pedagogicamente clara.
Sem amarras
Tenta-se atribuir ao chefe do Gaeco, o procurador Leonir Batisti, um papel como o do inspetor Javert, aquele personagem do Vitor Hugo que perseguiu Jean Valjean por haver roubado um pão em "Os miseráveis". A trajetória dele em Londrina é reafirmada nos primeiros atos em Curitiba como os que determinaram o processamento de mais de vinte policiais.
Como centro do poder Curitiba carecia de uma presença mais forte do MP para lançá-la no mundo moderno, pós-mensalão, referência de um novo tempo também do convívio intrapoderes. É a visão desse antigo passivo de cidadania que leva ao temor de que uma vez mais se tente jogar a sujeira para baixo do tapete.
Caráter
Quando Leon Perez era governador ficou visível que a sociedade cartorial não gostou: reverência, ainda que forçada, era o tom até a denúncia (grave) que o afastaria do poder. Pela primeira vez as contas não foram aprovadas, o que dá a medida da intimidação que provocava. O maior sonho dos liberais é não ver o direito e a recomposição da ordem jurídica como expressão da vingança.
Cartórios
CNJ deu ordem ao TJ para retomar o concurso de pelo menos 600 cartórios. A situação se arrasta desde 2010 e observadores acham que delongas manterão os atuais provisionados por bastante tempo. Afastamento da banca examinadora chocou.
Folclore
Elba de Pádua Lima, o Tim, orientava para que Denilson do Fluminense não avançasse além de um ponto do campo. Explicação: você não tem troco de volta.
Pantera
O ônibus pantera, rosa, só para mulheres, da Câmara de Curitiba só não choca porque não é original: no metrô de Recife já se pleiteou um vagão feminil. A ociosidade não gera criatividade.





