LUIZ GERALDO MAZZA
Filósofo, urgente
Feliz dos governos que contam com filósofos: o de Munhoz da Rocha tinha nele próprio um da melhor qualificação, seguidor do pensador dos matizes o neo-tomista, Jacques Maritain, e ainda contava com o kierkgardiano (o melhor do Brasil) Ernani Reichmann. É que tudo o que pesa contra o governo estadual decorre de uma questão essencialmente filosófica: a das aparências.
Vejamos a investigação do CNJ sobre tráfico de influência na eleição de Fábio Camargo para o TC: ela se deu em meio a uma forte aproximação com o Judiciário no Caixa Único e no acesso aos depósitos judiciais (aquele dos 30% foi vetado ontem pelo órgão de controle), na concessão de mandado de segurança também por Clayton Camargo em favor de Cid Vasques no seu arranca-rabo com o Gaeco. Dá para testemunhar que embora as presunções no caso da eleição ela se deu dentro da praxe habitual, a costumeira submissão legislativa, embora o exame pelo STJ dessa matéria provocado pelo MP federal.
Mas essa questão das aparências permeia o universo em que o governo se move e o caso do atrito Gaeco x Cid Vasques se dá logo depois da operação Vortex que flagrou quatro delegados, 15 investigadores e um agente de apoio da Polícia Civil achacando três empresários de autopeças, enquadrados também. Logo depois disso veio o alegado atrito com o Gaeco, fundamentado na regulação do rodízio de civis e militares colocados à disposição do MP.
E como se não bastasse, a própria ação do governo é mais virtual do que efetiva, isso é, aparenta agir. E outras vezes age, mas esconde como no caso dos acordos que vem sustentando com as pedagiadas, uma caixa preta, ainda ontem reclamada por Ágide Menegeti, da Faep.
Conflitos com policiais civis, como os de ontem na Furto de Veículos, levam à conclusão que também aí, como no caso da invasão da mansão por tiras mascarados, como se fossem do Black Bloc, não age e sim aparenta agir. E desse jeito aparenta governar. E de aparência em aparência, como a das pesquisas, de repente se reelege e a aparência se proclama como virtude maior, tal qual se deu anteontem no leilão do Campo de Libra.
Tayná
Justiça agravou responsabilidades dos policiais no caso Tayná aditando-lhes punição administrativa. Novamente o império das aparências. Teremos nesse evento a reprise da menina colocada na mala na Rodoferroviária há 5 anos?
CPI
Aos poucos há revelações como a de ontem na CPI do Pedágio em que o governo pagou indenizações que caberiam às consorciadas por força de aditivos. Como sugeria Hamlet há muito método nessa loucura.
Aparências
Por que em Londrina o alinhamento de preços dos postos de combustíveis dá enquadramento judicial em cartel e em Curitiba não?
Folclore
Não foi só a Dilma a sofrer vaias: aqui tivemos duas no Guaíra, uma elegante "bocca chiusa" contra Lerner e outra, fortíssima, contra Requião, testemunhada por seu líder continental Hugo Chavez, devido ao nepotismo.
Guerrilha
Polícia não vai mais poder prender ninguém, já que o Sinclapol pode estender o bloqueio a outros distritos policiais. Aparência de guerrilha. Nada demove o governador de sua prioridade: a campanha eleitoral.
Anticandidato
Se Orlando Pessuti sair candidato ao governo é para nascer cristianizado, isso é dar cobertura efetiva a Gleisi. No PMDB fora Requião não há ninguém com potencial eleitoral razoável. Fará papel de laranja. Na beira da estrada.





