Mudança lenta
A resistência da sociedade cartorial tem limites: afinal o MP denunciou e a Justiça acatou denúncia corresponsabilizando os deputados estaduais Nelson Justus e Alexandre Curi pelas ações delituosas na Assembleia estadual na sequência dos "diários secretos". Normalmente isso dava em nada e nem havia notícia porque entravam em cena mediadores que ligavam para os donos dos meios de comunicação e portanto por não ter sido noticiado não havia acontecido.
Numa dessas pressões em cima da Rádio CBN, quando ela era dirigida por Mário Celso Petraglia, peguei um gancho de "quatro meses" de silêncio obsequioso. Alegou-me, laconicamente, que foram os áulicos os autores da pressão e não o governador (Lerner) com quem afinal tenho boas relações o que não tem me impedido de criticá-lo como prefeito, governador e urbanista.
Imagino, no entanto, o peso das pressões sobre as instituições e os seus agentes e entendo a trama de relações parenterais que se estabelecem para evitar o enquadramento dos homens da elite. É uma surpresa por exemplo a condenação judicial de Jaime Lerner, antecipada de denúncia do MP, por ter pago uma suposta e indevida indenização a empresários de Cascavel.
Mas é tudo muito lento: denunciados que têm relações profundas com os Três Poderes gozam de privilégios que no passado em desvios e desídia nem apareciam nos jornais a não ser para badalações nas colunas de política e mundanismo. Se estamos nas dores do parto da democracia, distantes ficamos das exigências republicanas. Há esperança como aquela da família Herzog (do Vlado assassinado pelo Doi-Codi) que conseguiu em pleno regime militar ganhar uma indenização pela ação de um juiz corajoso e independente. Demora, mas de repente engata.
O limo dessa burguesia gruda em rocha de rio e até no aço e nas instituições é decorativa como teia de aranha em paiol velho.

Skate
Ontem audiência pública na Câmara Municipal de Curitiba sobre o skate como meio de transporte foi cancelada por falta de luz (não a mental). Poderiam abordar outros como patins, patinetes, perna de pau e até a asa delta que contribuiriam na mobilidade urbana para os desafios da Copa.

Câmeras em táxis
Cada vez maior é a minha intolerância com a legisferância: agora querem pôr câmeras em táxis na suposição de aumentar segurança quando quebram enfim a privacidade dos casais do banco de trás. É a acrobacia do ócio.

Privatização
O discurso ideológico anti-privatização voltou ontem no leilão no Campo de Libra: o pior é que essa irracionalidade foi explorada pelo PT e o PSDB, de forma covarde, não a contestou com exemplos como o dos celulares aos quais não teríamos acesso até hoje se a estatização persistisse.

Folclore
Nas privatizações de FHC quem chutava o traseiro de empresários era a turma de militantes do PT. Agora eles chamam o Exército para conter protestos. E ainda há quem leve a sério a opereta bufa da política.

Sigilo
Assembleia Legislativa se ocupou ontem do voto secreto, mas ninguém mostra a menor curiosidade sobre o sigilo da relações de Beto Richa com pedagiadas.

Apagão
Faltou luz ontem na Câmara Municipal de Curitiba, Rodoferroviária, Urbs, mas anúncios dos feitos da Copel continuam aos borbotões. Recriação do universo conformista.

Salvaguardas
Cautelas exigidas pela Petrobras limitaram a licitação do Campo de Libra.

mockup