Eleições e a bolsa de Pandora
Daqui para a frente, como na música de Roberto Carlos, tudo vai ser diferente, a cada momento uma nova pesquisa, desde as mais aceitáveis como as do Ibope e DataFolha, até a dos institutos locais, muitos dos quais só operam na safra eleitoral. Como a dos institutos nacionais têm custo mais elevado, embora, por exemplo, as do Ibope sejam aqui terceirizadas, é a hora das locais ganharem o seu espaço. Recentemente a Paraná Pesquisas fez uma sobre o cenário da Capital e deu Beto Richa com 35,87%, Gleisi Hoffmann com 28,33% e Requião com 15,57% na estimulada, já que a espontânea mostrou que 76,88% não sabiam em quem votar e 2,24% não pretendiam participar. Quase 80% estavam por fora, o que prova a inexistência de fundamento real para qualquer sondagem com uma taxa mínima de credibilidade.
Há menos de 10 meses tivemos algo mais preciso do que pesquisa na eleição de prefeito da Capital com a derrota, já no primeiro turno, do candidato Luciano Ducci à reeleição, chapa branquíssimo e com o seu eleitor principal Beto Richa à frente das operações. Sobraram Ratinho Júnior e Gustavo Fruet, com este faturando 70% dos votos.
Há um quadro na simulação mais recente em que Ratinho concorre ao governo e empata tecnicamente com Beto Richa: 25,19% para ele e 26,26% para o governador. Aí Gleisi aparece com 19,64% e Requião com 13,1%. É muita acrobacia supor que votos de Ratinho drenem necessariamente para Beto Richa e os de Fruet, que moeu os dois, desapareçam. Parece o "búrico ladrão" da bolinha de gude infantil.

Perda nos polos
Essa amnésia dos dados da eleição municipal começa com a observação primária de que o Beto Richa, inegavelmente o líder das pesquisas no Paraná, perdeu as eleições nos dois maiores colégios do Paraná, o de Curitiba e o de Londrina. Os conflitos entre o governo estadual e o de Curitiba se dão seguidamente, tanto na questão do transporte coletivo (Fruet lembra que baixa bem a tarifa se Beto Richa assumir a Região Metropolitana) como na da Copa de 2014 quanto às suas obrigações de transferirem recursos para a Arena da Baixada.
Não poucas vezes tivemos conflito entre a prefeitura da Capital e o Palácio Iguaçu, havendo casos gravíssimos como o de Moisés Lupion encampando o sistema de transportes coletivos para a divisão do Departamento Estadual de Estradas de Rodagem, o que a justiça derrubou, ou ainda o bloqueio de Requião às linhas de integração dos ônibus da gestão de Lerner. Pois apesar disso tudo ameaças de ruptura ficaram na retórica.
Visível é que o PT, à exceção da hoje ministra Gleisi Hoffmann, não tem quadros para ombrear-se com o prefeito Gustavo Fruet, liderança natural da Capital. Que não é do estilo da confrontação, mas de atacar pelas bordas como faz no momento com a questão histórica dos táxis e dos ônibus. Nunca tivemos em tão curto espaço de tempo uma anatomia do cartel e de coadjuvantes como o Instituto Curitiba de Informática e o Datapron, verdadeiras capitanias donatárias e hereditárias como aquelas do patrimonialismo colonial que se cevam no sistema.

A bolsa de Pandora
A bolsa de valores pode se transformar na de Pandora, da mitologia, como se deu com Eike Batista. Para Curitiba abre-se a oportunidade no caso do hoje demonizado, ontem beatificado como exemplar modelo, sistema de transporte coletivo revelando que a lucratividade do sistema não fica apenas com o cartel, mas também com alguns compadres que implantaram a engenharia de sistemas não apenas dessa área e sim de toda a prefeitura. Outros anexos burocráticos também participam da festa, inclusive os oficiais. A Urbs, por exemplo, cobra taxas de administração calculadas pela tarifa técnica de R$ 2,99 e não a usual de R$ 2,70.

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