LUIZ GERALDO MAZZA
O signo do medo
Nunca se viu em toda história do Brasil um momento de tanta perplexidade com o ciclo das passeatas e badernas como agora. Esse pasmo da autoridade com medo de ombrear-se à ditadura recente estimula as manifestações e tanto que um dos dirigentes do Partido do Comando da Capital ameaçou, genericamente, o governo com a Copa do Terror como poderia, mais adiante, referir-se a uma competição entre terroristas como evento paralelo aos Jogos Olímpicos em 2016.
Com isso abre-se uma competição de chantagens e bravatas sujeita a surtos de criatividade e também de lugares comuns. Não dá para dissimular que vivemos sob o signo do medo, atmosfera ideal para o fascismo porque é da sua essência valer-se da intimidação. Se o medo pode gerar a reação de Estado, em medida equivalente às provocações, também facilita o aparecimento de "heróis" e "justiceiros" como se deu na Alemanha nos pródromos da Primeira Guerra e, na sequência, reencontrou nos seus efeitos a semeadura do que parecia a revanche consagradora final, um anseio de pátria redimida para o voo imperial.
O imobilismo, como se verifica diante da reprise dos acontecimentos, gera o sentimento de impotência que a qualquer momento encontrará a sua catarse em respostas tão ou mais violentas por parte do governo, a que se concede o monopólio das armas numa democracia, quando elas, no caso brasileiro, já foram privatizadas na guerrilha das penitenciárias e prisões.
Dá para imaginar uma Copa do Terror, como se ameaçou, em ano eleitoral.
Mais paralisia
Ontem deu para perceber como o governo estadual administra suas contradições com a negativa do pessoal do 12º Distrito Policial de admitir as visitas aos presos. São atos de amotinamento, mesmo quando centrados em boas razões como a da superlotação dos presídios e a questão das escoltas, para os quais não há resposta. E quem gere essas questões institucionais é o Ministério Público que está nos dois polos do problema por ocupar, com seus quadros, as secretarias de Segurança e da Justiça.
Ativismo do TC
Últimas intervenções da retaguarda técnica do Tribunal de Contas revela um ativismo impensável há décadas, tanto no caso da auditagem da Urbs como no dos dispêndios da Copa do Mundo. Há um fosso, no entanto, entre o que esse setor apura e a forma como o plenário da instituição, com seus conselheiros, os julga. Aliás há condenações de dirigentes estaduais, pesadíssimas, e essas passam pelo colegiado como devolução de dinheiro público como ordenador de despesas indevidas.
CPI do ICI
Como viram que até agora a auditoria do TC e a investigação da Urbs foram mais consistentes do que a CPI municipal dos ônibus querem fazer a do ICI, do qual a cidade é refém.
Bolha
Observação do Nobel americano sobre a bolha imobiliária foi reafirmada por um especialista da terra, DAgostini, que crê num recuo para 2014 de 25 a 30% nos preços dos imóveis como reassentamento do mercado.
Folclore
Quando eram poucos os paranaenses que iam ao exterior inventaram anedotas de um dono de jornal viajante dentre as quais a reclamação de que esteve em Veneza e disse que lá era pior do que Curitiba em matéria de táxis, pois permaneceu à espera duas horas e não foi atendido.
Biografias
No meio da polêmica sobre biografias alguém lembrou que em passado distante elas eram menos comuns que as abreugrafias nos exames dos pulmões, afinal obrigatórias no mundo escolar.





