Invasões, o modismo
Certas situações psicossociais, como a das invasões, se dão em ciclos. Depois das manifestações de junho, acopladas aos desvirtuamentos dos vandalismos, elas persistem em vários pontos do País e há dois dias se dá na Câmara Municipal de Curitiba com um detalhe diferenciado, o não uso da violência, ainda que ela já esteja caracterizada no ato da ocupação.
No passado, em plena Guerra Fria, a subversão era o que é agora o terror. O cara ler um contista russo podia ser visto como subversão como uma invasão de prédio público uma forma aguda ou atenuada de terror, mas classificável assim para efeito de enquadramento na Lei de Segurança Nacional. E com a anti-lei que se mata a liberdade como naquele axioma udenista "o preço da liberdade é a eterna vigilância", do clube da lanterna de Carlos Lacerda.
O que se dá no Brasil é uma acomodação decorrente de décadas sequenciais de democracia e da persistente purgação de culpas da ditadura. Ameaçamos fazer da prática da liberdade, depois daquele longo represamento, no seu oposto, que é o liberticídio. Num momento haverá a ruptura se é que, pelo menos boa parte do eleitorado, à essa altura, já não esteja com saudades dos abominados anos de chumbo da ditadura militar diante da violência olhada como natural.

TC em questão
A auditagem do TC do Paraná se transformou em modelo nas discussões sobre o transporte coletivo e objeto de análise em reunião nacional. É referência nacional, mas ninguém pode prever o que o plenário, que tende sempre a pasteurizar os dados técnicos, decidirá na hora em que for analisá-lo. O fato é que se tivéssemos como prática o que houve agora no momento do balanço do governo teríamos a ideia da distância entre uma coisa e outra. Como se deu, também, no relatório de ontem sobre os dispêndios oficiais da Copa.

Coincidência
No momento em que a Justiça enquadrou os policiais e empresários da Vortex houve a troca de integrantes da equipe de apoio do Gaeco, a rotatividade desejada pelo secretário de Segurança e repudiada pelo MP. Uma coisa nada tem a ver com a outra, mas tudo se encaixa como se dá no exame pelo CNJ da eleição de Fábio Camargo no TC e o acesso aos depósitos judiciais. Outra observação: quem deu a liminar em favor de Cid Vasquez para não ter sua licença examinada pelo Conselho Superior do MP foi o ex-presidente do TJ Clayton Camargo. Juristas costumam argumentar em situações como essas que há precariedade de nexo causal, isso é entre intenção e resultado.

Sequência
Cada hora um atrito contra a polícia funcionar como guarda de presos: hoje vão ser suspensas as visitas de familiares aos detentos do 12º Distrito Policial em Santa Felicidade. Essas questões não dão para reclamar no MP porque já estão sob seus cuidados na Segurança e na Justiça.

Folclore
Nada mais arbitrário do que clichês e arquétipos como os de que curitibano é introvertido e empatador, catarina assanhado e gaúcho tomado pela soberba. Numa roda de jogar conversa fora um dos participantes sugeriu que numa determinada região só dava prostituta e jogador de futebol. Um deles chiou sob a alegação de que sua mãe era de lá. Aí houve a correção mais rápida que a velocidade da luz: "e em que posição ela jogava?".

Consumo
Maior aposta e única estratégia do governo Lula-Dilma o consumo mais uma vez deu a sua graça: pesquisa IBGE mostrou alta nas vendas do varejo de 6,2% em agosto ante o mesmo mês do ano passado. Já a "bolha imobiliária", que um dos prêmios Nobel de economia vê no Brasil, não assusta os otimistas de sempre.

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