Menos saúde
"Mais médicos" menos saúde. É o que se pode dizer dessa operação demagógica para dissimular ativismo no Brasil. Basta ver a situação dos hospitais universitários no Paraná, abordagem de ontem desta FOLHA, com os seus prontos-socorros superlotados, juntamente com UTIs e leitos. Ainda ontem, na Capital, manifestação de servidores contra a supressão de cem leitos no principal deles, o Hospital de Clínicas, dá bem a ideia do quadro. Como se não bastasse está aí a crise financeira (a prodigalidade persiste com o governo gastando mais do que arrecada) e ainda assim prometendo que até o fim do ano hospitais receberão R$ 515 milhões e, em 2014, os repasses chegarão a R$ 580 milhões.
Na parte social - educação, saúde e segurança - a nota leva o governo para a segunda época. O alento para isso é mais uma pesquisa garantindo a reeleição.
A deficiência é só um detalhe.

A ilha
Como Cuba, Curitiba é uma "ilha": aqui as figuras da hierarquia política não sofrem sanções. E isso tanto é verdade que há um pouco de surpresa nos enquadramentos do ex-presidente do TJ Clayton Camargo. Um detalhe: como sempre ações desse tipo têm que ser externas, isso é, virem de órgãos federais e que não gravitem em torno do Centro Cívico, no caso o CNJ.
Houve uma surpreendente exceção no processamento do ex-governador Jaime Lerner e na sua condenação por causa de um suposto pagamento indevido a dois empresários de Cascavel. Quando tudo indicava que o cenário ia mudar com a ação do Gaeco ao desbaratar uma quadrilha comandada por delegados de polícia houve uma intervenção para conter o órgão do Ministério Público da parte do Executivo através do seu secretário de Segurança. O MP se esforça para garantir a atuação do Gaeco e pleiteia (o que foi negado em liminar de mandado de segurança pelo ex-presidente do TJ Clayton Camargo) que se retire a licença que protege o secretário sub-judice e o afaste da função em recurso ao seu Conselho Superior.
E tanto é uma "ilha" que ex-diretores da Urbs tentam intimidar o vereador Jorge Bernardi, presidente da CPI. Como este acha que a questão envolve aí também o MP vai até o procurador Giacoia ponderar sobre um pedido de prisão aos ex-dirigentes para que não bloqueiem as investigações como se insinua com a interpelação criminal.
Tudo enfim de acordo com os costumes e exigências da sociedade cartorial, sempre majestática e imperial.

Certeza
O que leva a Capital a ter o corpo fechado: uma das garantias é a de ganhar as eleições locais. Só que desta vez perdeu e não se habitua ao papel de oposição, embora as cautelas excessivas do prefeito Fruet em tentar fazer as coisas com um máximo de cuidados para evitar conflitos. Aliás se conseguir a "chave" do ICI-Datapron da bilhetagem eletrônica dá um grande salto e impõe o estilo aveludado como o melhor caminho.

MP em ação
Mais um sinal de avanço nas práticas da aldeia: o MP reclamou ao CNJ o fato de o desembargador Luis Sérgio de Lima Vieira haver desrespeitado a promotora em reunião do Órgão Especial em torno da suspensão da licença da corporação ao atual secretário de Segurança. É lenta, mas a mudança está em marcha.

Folclore
No extinto "Correio de Notícias" usei, mais de uma vez, a metáfora de Mao-Tse Tung "uma faísca na pradaria" e saiu "faísca na padaria". Isso não é nada: num jornal saiu o clichê da primeira dama em lugar da égua que tinha ganho o "Grande Prêmio Paraná" no Tarumã. E no jornal do Protásio de Carvalho a manchete "Tensão na fronteira russo-chilena".

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