LUIZ GERALDO MAZZA
Saída Denorex
Denorex foi um produto muito anunciado que tinha cheiro de remédio, jeito de remédio, mas não era remédio. Tal qual Lerner que agia como político, tinha jeitão de político, mas não era essa abominada figura. Muito parecido com a explicação do governador Beto Richa de que não houve tráfico de influência na designação de Fábio Camargo para o TC, embora os fatos precedentes do Caixa Único, do acesso pelo governo aos depósitos judiciais e tantas outras evidências análogas.
É que o julgador desses atos, neste momento, não é o governador, mas o CNJ, órgão de controle externo do Poder Judiciário. O Valdir Rossoni, presidente da Assembleia, tem argumento igual ao do seu correligionário do Executivo. Eles estão se defendendo e, por extensão, a neutralidade da escolha do ex-deputado para o TC e também se colocando em favor do ex-presidente do TJ Clayton Camargo, ao menos no caso específico de tráfico de influência.
Executivo, Legislativo e Judiciário, uma trindade que nada tem de santíssima, paga pelo vício da simetria mesmo em questões polêmicas. Pela vez primeira se sujeitam a julgamento externo por suas práticas habituais. Uma suposição de um acerto, mimetizada pelos ritos, é colocada em foco.
Venial
Se é pecado botar numa novela global um merchandising projetando uma fábrica de bonés de Apucarana, como entendeu inspeção do Tribunal de Contas, trata-se de um desvio venial até porque a punição abrange além do prefeito e da prefeitura a Associação Nacional das Indústrias de Bonés, Brindes e Similares que fizeram uma "vaquinha" de R$ 140 mil pela inserção. Nada mais objetivo do que realçar uma empresa e com isso levantar a autoestima da cidade como Curitiba e São José dos Pinhais fazem com automóveis como o Positivo e o Boticário tantas vezes fizeram em novelas e esquetes.
Pecado mortal é subvenção de meios de comunicação pelo governo como entendia o falecido mestre João Feder em seus pareceres no TC. Para que se tenha uma ideia do poder multiplicador de um "merchandising" basta lembrar que um destacando apostila do Positivo em "O rei do gado" gerou um "case" por ter o volume de vendas superado todas as expectativas, até no exterior.
Destacar bonés de Apucarana, as malhas de Imbituva, a moda em Cianorte, os móveis de Arapongas, os laticínios de Castro, a louça de Campo Largo é algo essencialmente paranaense, como diria Bento Munhoz da Rocha Neto, nossa infalível lembrança. O governo do Paraná patrocinar escola de samba no carnaval do Rio isso pode? Não deveria, mas aconteceu.
Dias parados
Na hora de discutir os dias parados na greve bancária (a Fenaban quer descontá-los todos, o comando pede anistia total) a negociação de ontem emperrou. O desconto seria um drama, mais de dois terços do mês e os grevistas se voltariam contra o comando, risco de qualquer movimento desses. De repente esse item é mais importante do que o reajuste e o novo piso.
Não baixa
Fruet disse ontem que a tarifa dos ônibus não baixa. Ele sabe que a técnica de R$ 2,99 é contestada judicialmente pelas empresas que pediam R$ 3,10.
Folclore
Nem o Cruzeiro vence todas, tanto que anteontem perdeu do São Paulo, mas Beto Richa ganha todas as pesquisas e na última quase empata com seus 43.8 com os 23.2 de Gleisi e 20.7 de Requião. Essa pesquisa está mais redonda que a Skol.
Demagogia
Primeiro a expulsão dos lojistas da Rodoferroviária, depois o pacote de assistência aos desempregados. O melodramatismo mata o Brasil.





