Cisões saudáveis
No Paraná o que às vezes irrita é o monolitismo dos posicionamentos de entidades do empresariado ajustados ao governo. Dá para lembrar daquelas mobilizações em favor das montadoras postas em xeque na Comissão Econômica do Senado por Osmar Dias e Requião que desejavam saber o que eram os protocolos de intenções.
Pois agora há um racha entre Fiep e Faep, essa a favor do pedágio, a outra contra, usando até inserções no Fantástico. Pois agora há outra queda de braço em torno dos portos pelo fato de Gleisi Hoffmann não ter aceitado as soluções da administração dos terminais e haver aconselhado a área ministerial e a Antaq, Agência Nacional de Transportes Aquaviários (que deveria, por natureza da função, ser independente), a adotar um plano da União para a partilha das concessões em função do novo estatuto. Afirma-se amiúde que o presidente da Fiep seria o vice na chapa de Gleisi, o que gera um fato novo.
Como a unanimidade não nos têm favorecido, há quem entenda que uma certa dose de conflito possa clarear melhor as coisas e favorecer-nos.
Quando o sistema rodoferroviário ignorou o Paraná os mal-entendidos foram superados: naquele como na atual dissensão Paranaguá não foi atendida. Apesar dessas e outras a presidente Dilma Rousseff em Campo Mourão voltou a afirmar que não discrimina governos de oposição. Aliás os últimos investimentos automotivos (Volks e Audi) foram partilhados pela União e o governo estadual.

Carta
A Constituição Cidadã do Doutor Ulysses celebra hoje 25 anos: já emendada em vários pontos, mantém-se atual e balisa nossa evolução democrática, embora tenha muito a regular como o primeiro artigo que institui a democracia direta a que chegaremos como no poema de Antonio Machado: "caminhante não há caminho; o caminho se faz ao caminhar". E estamos caminhando, às vezes até em notório recuo como na negativa ao registro da Rede de Marina Silva.

Tremeu
No meio da tempestade, anteontem, diz-se que o prédio da Mauá, do Judiciário, tremeu: vai ver é em função da diferença do preço pago pelo governo e o a pagar, afinal reivindicado pelo proprietário, velho cliente do setor, que alugava também um prédio na Marechal Floriano, na canaleta do biarticulado, para as varas criminais.

Início
A fábrica de pneus da Sumitomo, Fazenda Rio Grande, está apenas operando com 40% de sua capacidade. A inauguração deixou mal o presidente da Fiep, embora relacionado na lista de Vips, que acabou esnobado pelo cerimonial. Saco cheio, pneu vazio.

Folclore
Beto Richa teria declarado, em meio a um papo na Sumitomo, que o pedágio iria baixar. Pelo menos diverge do Requião por não ameaçar com o baixa ou acaba.
Que não, deseja-se, como a espera de Godot.

Reversão
Cálculo de um observador: se anularem a licitação dos ônibus, o cartel leva R$ 1 bilhão em indenizações e ainda fica, emergencialmente, com o serviço. Um raciocínio: quem se habilitaria ao sistema só no item das garagens face ao valor patrimonial desses espaços? O melhor é apertar os parafusos dos custos e desvendar os mistérios ICI-Datapron, heranças pactuais.

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