Catatonia judicial
Fala-se tanto em ativismo judicial e o que se vê nessa greve interminável dos bancários é precisamente o contrário, a inação, a catatonia. Como é que pode um serviço essencial ficar mais de 15 dias bloqueado por uma greve, e ainda por cima de dimensões nacionais, e não haver qualquer mediação mais forte da parte de órgão administrativo, Ministério do Trabalho, e na área processual, a da justiça, embora os atropelos a todo o conjunto da sociedade?
É verdade que com caixas eletrônicos e internet a greve perdeu muito da sua força anterior, mas percebe-se que a Justiça do Trabalho, quase originalidade brasileira como a jaboticaba, se mantém atrelada a rituais que mais acirram do que metabolizam os conflitos. A impressão pelo tempo do conflito é que os banqueiros querem asfixiar os bancários pelo cansaço: houvesse mediação e os 6,01% dos banqueiros se aproximariam dos 11,5% pretendidos, já que é visível o fato de que o número patronal é apenas o da inflação acumulada no período.
Recentemente se discutiu muito, na questão do mensalão, se o julgador deve levar em conta a opinião pública e esse caso é mostra mais do que suficiente que às vezes nem o fato de o próprio magistrado padecer com uma circunstância dessas o retira do pedestal. Ele a sofre em nome dos rituais que afinal são mais relevantes do que a provisão de justiça para a paz social.

Luta de classe
Há um episódio sindical na Inglaterra que mostra as dimensões que pode atingir um conflito: nos tempos de Margareth Tatcher o governo segurou uma greve de mineiros por um ano e derrotou-os. É evidente que para a nossa formação conciliatória e melodramática soa cruel demais. Mas luta de classe, no sentido em que Marx apostou, tinha um tom beligerante e duro, longe das permeabilidades das nossas práticas, algo como uma revolução permanente.

Previsão
Como se previra, os mesmos nomes da disputa anterior para a presidência do TJ foram os mais votados: os desembargadores Guilherme Luiz Gomes, que perdeu para Clayton Camargo por causa da idade, e Sérgio Arenhart. Como agora a disputa foi num colegiado mais amplo a emulação foi das melhores em meio à generalizada consciência de que é preciso um grande esforço para uma guinada na imagem da instituição. Guilherme teve 60 votos contra 46, um em branco.

Julgamento
Procedimentos contra o ex-presidente do TJ, desembargador Clayton Camargo, se darão no pleno do Conselho Nacional de Justiça dia 8 e se referem à denúncia de venda de sentenças e tráfico de influência. Novas denúncias estão surgindo e até a de uma compra de imóvel com a vendedora dando o depoimento.

Folclore
Do Judiciário há estórias cabeludas e bizarras: a do magistrado apanhado com namorada em seu gabinete e cobrado pelo presidente é uma delas. Outra recente do desembargador que montou uma "fábrica de gelo" em seu gabinete e quando a geringonça estourou a água invadiu três andares, atingiu a biblioteca e um piano e o carpê se foi.

Surpresa
Dentre as surpresas no depoimento de Lerner na CPI do pedágio, quando se esperava perguntas mais contundentes do PT, o deputado Péricles de Mello se levanta para relatar, com entusiasmo, que tinha um livro do ex-governador autografado. Inverteu Che Guevara: ternura, antes da dureza.

Sutileza
Como a Volks e a Audi foram partilhadas pelos governos da União e estadual, Beto Richa foi ontem festejar uma "sua", a fábrica de pneus da Sumitomo.

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