Como liquidar CPIs
Tivemos, ontem, uma exemplo de como liquidar uma CPI com a convocação do ex-governador Jaime Lerner. Todo mundo o festejou, talvez a consciência clara da inutilidade do convite. É que se poderia fazer com a CPI municipal, a dos ônibus, pelo convite ao governador e ex-prefeito de Curitiba Beto Richa, que formatou a licitação, e também do ex-prefeito Luciano Ducci, que a consumou.
Aquele festejo dos boxeurs antes da luta na base da cortesia e do fair play ganha mais calor e intensidade. Como Lerner (há quem ache que vale a pena convidar Requião) festejadíssimo haveria o mesmo com Beto e Ducci, troca de amabilidades, nenhuma pergunta mais aguda.
Até hoje não houve uma só CPI que rendesse frutos sérios: normalmente ela projeta presidente e relator e às vezes um interlocutor mais ousado. A CPI, municipal, pelo menos opera como "background" de ações que o Tribunal de Contas e a Urbs tomaram com mais eficiência do que a algaravia política e dá fundamentos para que sindicatos peçam na justiça a anulação da concorrência.
É o compadrio levado à mais alta expressão.

Desigualdades
Para os professores, que poderiam com sua ofensiva em cada cidade em que estivesse o governador, saiu tudo: aumento, atrasados; para os guardas de presídio, que vivem num mundo menor e confinado, nada. Essa a razão, embora a continuidade do diálogo, de os sindicalistas terem marcado a greve dia 15.
Cálculo eleitoral: a capilaridade do professorado e seus vínculos familiares, que somam respeitável e sensível comunidade, generalizariam a má vontade com Beto Richa; já o poder de fogo dos servidores dos presídios é limitado, a não ser que lavre o caos em todos as prisões. Aí, sim, o bicho pega.

Idosos
No dia do idoso, ontem, descobriram o óbvio: a delegacia especializada nunca foi implantada. Idoso como o seguro morreu de velho. Na outra ponta o Estatuto do Menor e da Criança, o Eca, que só faz eco e nada resolve.

Atenção
Eleição do TJ sai antes da decisão do caso paranaense no CNJ, dia 8, mas todos devem ficar atentos no fato de que a imagem do nosso Judiciário está em questão e não é de agora, mas de muito tempo, antes mesmo da existência de órgão de controle externo. No pleito um dos mais fortes é o desembargador Guilherme Luiz Gomes que empatou com Clayton Camargo na última eleição e perdeu por causa da idade. Miguel Thomaz Pessoa Filho e Sérgio Arenhardt, também cotadíssimos, haviam disputado o pleito.

Folclore
Comuns os atritos entre Judiciário e Executivo. Dois deles se deram com Bento Munhoz da Rocha, que havia nomeado o professor João Alves da Rocha Loures no TJ, e decepcionado com o fato de ele pedir aposentadoria precocemente fez um despacho em que faz referência ao peticionário gozar de boa saúde e pretender o ócio. Outra foi com o presidente do TJ, seu primo José Munhoz de Mello, em que Bento com razão vetou projeto de deputado que reajustava salários de juízes por tal atividade ser prerrogativa exclusiva do Executivo. Munhoz de Mello era constitucionalista de 1946 e professor da área na Federal, mas agiu em defesa da corporação, posto que de forma equivocada. Sutileza e elegância duplas. Era um tempo de finura: dava para por, ao fundo, o minueto.

Sem singeleza
Não é tão singela, juridicamente, a anulação da concorrência dos ônibus, ainda que eivada de erros: atos praticados têm consequências de direito como a compra de 300 ônibus e o pagamento do cartel de R$ 265 milhões à Urbs.

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