LUIZ GERALDO MAZZA
Nóis aqui traveis
Como o professorado e funcionários da Educação receberam os atrasados nada mais natural que os guardas de presídio, que tinham promessa bem anterior à dos educadores, lutem contra o boicote e voltem não só a acampar no Centro Cívico, tal qual a vez anterior, como também deflagrem a sua greve, já mais do que aquecida.
Mas ouvir o Luiz Carlos Hauly falar da situação financeira é o mesmo que ver a descrição de uma ilha de tranquilidade hoje reforçada pelas medidas de reforma anunciadas pelo governador, corte de cargos em comissão e fusão de secretarias. Tudo indica que a conjuntura é sensível, mas os triunfalistas (certos, e até aqui com razão, da vitória eleitoral) se obstinam em subestimar os efeitos calamitosos da crise e a dificuldade redobrada de pagar as três folhas de novembro-13º-dezembro. Sugere-se que há provisão de recursos e que a sinistrose correria à conta da oposição que já não dispõe de armas adequadas para o embate eleitoral.
"Nóis aqui traveis" é o grito de guerra, na sintaxe de ocasião, dos guardas de presídio esnobados pelo governo e que os acusa, em portais aliados da internet, de serem verdadeiros marajás pelo número de horas trabalhadas. Prazo dado ao governo é até o dia 23 de outubro para que providencie o ajuste das contas à Lei de Responsabilidade Fiscal e com isso renegocie com os funcionários que decretaram estado de greve.
Resistência
Repete-se o drama das greves bancárias anteriores na concessão de imissão de posse em favor das redes do Bradesco, Itaú e Hsbc, o que atenua o poder de fogo dos sindicalistas que tentam reverter o quadro difícil e vão para o acordo com essa condicionante altamente negativa.
Ociosidade
Ficar discutindo a procedência ou não da minirreforma de Beto Richa (como a ida do Turismo para a Cultura) é perda de tempo. Tudo que é feito na base do afogadilho dá nisso. Desespero é por natureza contra a racionalidade.
Folclore
A frase que opõe o "turco lento" (José Richa) ao truculento (Requião) é minha, mas pelo jeito caiu no domínio público empregada pelo deputado André Vargas para aplicá-la ao governador. José Richa demorava, como se ruminasse os pensamentos, para tomar uma decisão; Beto está longe do estilo do pai: em algumas coisas é ligeiro demais; noutras, não, como o caso da identificação de uma crise.
Fonte luminosa
O metrô é a fonte luminosa de hoje das cidades de porte. Em todos os lugares está havendo problemas: Brasília, Bahia, Pernambuco. Sua instalação, como se dá em São Paulo e no Rio, não evita os engarrafamentos imaginados. Aqui o tempo gasto com a Linha Verde, em décadas (dois governos Taniguchi, dois Beto Richa, dezesseis anos) é prova de incompetência como também a demora do desalinhamento das estações-tubo com mais de dois anos. Nesses parâmetros o metrô aqui sairia em 20 anos e a um custo inimaginável. A reforma da Rodoferroviária é outro exemplo de cronograma infinito e acidentado.
Superavit
Em oito meses governo teve superavit de R$ 1 bi. Não cobre folha do pessoal.





