O dia seguinte
À cada situação dramática há costume de questionar o dia seguinte e como se trata de amanhã, segunda-feira, dia de pagamento das folhas de setembro e isso depois da ruidosa assembleia dos professores que mantinham a sua luta contra o calote daquele residual "milionário" de R$ 48 milhões que deixou de pagar, embora a solene promessa do Flávio Arns, agravada com aquele sotaque ítalo- eclesial, marca de toda família.
O dia seguinte da arregimentação professoral é amanhã, momento da confirmação do pagamento que se não houver dará certamente em greve. Estão igualmente a anunciar a saída do secretário da Fazenda, Luiz Carlos Hauly, que vive todas essas tensões como a rotina cotidiana e em conflito com setores palacianos com maiores créditos na escolha de auxiliares. Dizia-se que Hauly sairia antes do período da desincompatibilização, mas sem deixar de prover as famosas e já célebres folhas de novembro, dezembro, 13º, algo em torno de R$ 3,6 bilhões.
Como o sujeito que cai do vigésimo andar e ao passar pelo décimo afirma "até aqui tudo bem!", comemora que pelo menos até setembro tudo saiu normalmente, embora a torcida dos neuróticos de oposição para que houvesse atraso. Mas o dia seguinte de Hauly, justamente no "pay day", data do pagamento, lhe reserva um momento especial: o de falar sobre o comportamento financeiro do segundo quadrimestre no Legislativo com todos aguardando a palavra de calma relativamente ao próximo quadrimestre pela suspeita, já neurotizada, de que vai faltar numerário para os compromissos de fim de ano e gerar um acidente de percurso na prioridade número um deste governo - a reeleição do Beto Richa.

E outubro como será?
Afastado o empecilho dos atrasados do magistério e dos servidores da educação estadual como se enfrentará a carga dos guardas de presídio que tinham promessa mais antiga de reajustes? E mais ainda como se fará com tantas despesas como a da reforma do Palácio da Justiça com dispêndios de R$ 80 milhões, isso sem falar em diárias, quinquênios e promoções de servidores e nos precatórios sempre empurrados, generosamente, com a barriga e muito mais o custo dos novos 25 desembargadoras num dos atos finais da passagem do desembargador Clayton Camargo pelo TJ.
Preocupações pesadíssimas para quem não tem como horizonte mais próximo a rotina das despesas, mas, sim, a esperança da reeleição que aliás, mesmo com tantas dificuldades, é bastante possível como atestam as pesquisas e fica presente nessa sequência de idas ao interior.
Da mesma forma que o represamento da inflação, uma hora ou outra, detona sua descarga sobre a economia do país diante das ações da presidente Dilma, fazendo o possível e o impossível para evitá-la, Beto Richa já sabe o peso da herança que recebe dele mesmo e que não pode ser enfrentada com medidas tímidas de reforma como as anunciadas alterações no quadro secretarial e no exército de cargos de comissão, uma espécie de cataplasma para um caso de cirurgia heroica.

O comando
Da mesma forma que temos um governo ausente da realidade, a oposição, que se supõe venha a ser exercida pela ministra Gleisi Hoffmann, não dá sinal de vida afora as investidas mais inteligentes do deputado Tadeu Veneri. Beto Richa, mal na administração, mas aplicadíssimo na política, cuida do espaço partidário ao recepcionar Aécio Neves e com isso integrar-se mais às causas nacionais do PSDB. Ninguém mais habilitado, pelo menos no momento, a comandar a oposição do que o prefeito de Curitiba, Gustavo Fruet: dos quadros petistas e da base aliada, boa parte com Beto, é a figura mais consistente para essa tarefa. Afinal ele derrotou de forma categórica o governador num espaço em que chegara facilmente à reeleição.

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