Remendo sinalizador
Embora há muito tempo tenham os sismógrafos do governo estadual mostrado a precariedade da situação financeira, o governador Beto Richa só agora deu sinais do que seria a sua reforma administrativa: supressão de secretarias e corte de alguns cargos em comissão (mil) quando a conjuntura exigiria uma ação bem mais radical e, sobretudo, pondo fim ao oba oba das despesas que teimam ficar acima da receita em ascensão. O remendo anunciado é discreto para não dar a ideia de pânico de que teremos uma noção depois de amanhã com o depoimento de Luiz Carlos Hauly, da Fazenda, sobre o penúltimo quadrimestre do ano. Como, logo após essa intervenção na Assembleia, Hauly deixará a pasta, livra-se do ônus de estar na crista da onda na hora de fechar as três folhas de pagamento que pretendia cumprir antes de afastar-se pelo imperativo da desincompatibilização para disputar a reeleição na Câmara Federal.
Carece, portanto, de qualquer profundidade o arremedo de reforma enunciado que acompanha a mesma linha daqueles outros relativos à redução de gastos das despesas correntes e enquadrados naquele painel fantasioso e ridículo dos contratos de gestão como se houvesse um monitoramento persistente das ações e omissões gerenciais. Aparatos cortados ou fundidos, como a secretaria da Copa e uma área específica para turismo, esta levada à Cultura e a mais abrangente das correções é a da Controladoria anexando outros aparatos de utilidade operacional discutível como a corregedoria e ouvidoria.
Assim deformações como a de ter mais do que dobrado os gastos com cargos em comissão de R$ 8,4 milhões ao mês para R$ 17,6 milhões, no curso de apenas dois anos, não serão obviamente corrigidas. Todo o esforço de agora é centrado nas folhas de pagamento do funcionalismo, mas o Caixa Único não é elástico e as despesas do Judiciário e Legislativo também cresceram.

O espanto
Como é cada vez mais difícil na gestão pública separar a vigarice do fato real não espanta que tenha aparecido um falso secretário de segurança municipal voltado para um aparato aéreo como poderia ser naval com pedalinhos ao longo dos rios Barigui e do Belém. As bandeiras estão aí na Linha Verde, desalinhamento de estações tubo, reforma da Rodoferroviária mostrando que pastaremos muito até fazer o metrô que, mantida a escala, levará um mínimo de 20 anos para fechar o primeiro trecho.

Corte
Para uma operação cirúrgica na prodigalidade oficial era preciso um corte muito maior do que apenas um quarto dos comissionados. Se o governo tivesse ganho a prefeitura da Capital haveria transferência. 40 e poucos milhões anuais não é nada como economia se levarmos em conta que só os atrasados dos professores chegam, aqui e agora, a R$ 48 milhões.

Feira
Urbs não tinha um plano b para o abastecimento de usuários da Rodoferroviária no andamento das obras e vai improvisar uma feira, depois de criar um drama imponderável para os cessionários de serviços e seus empregados.

Folclore
O professor Napoleão Teixeira (Medicina Legal) fala sobre hábitos tribais e de culto à sexualidade, de homens que aplicam formigas para aumentar o tamanho do bilau e uma aluna, irritada por excesso de pudor com a descrição, ameaça deixar a sala.
– Doutora – diz o mestre – não se apresse que só há navio para lá semana que vem.

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