Cartorialismo resiste
A cada momento uma evidência de que o Ministério Público é bem mais eficiente em Londrina do que na Capital: não bastassem as ações na área política que redundaram na cassação mínima de três prefeitos e afastamento e prisão de vereadores e prestadores de serviços, tivemos, por exemplo, processos acatados na Justiça de formação de cartel dos postos de combustíveis e agora uma representação no Conselho Administrativo de Defesa Econômica enquadrando hospitais (Santa Casa, Evangélico, Ortopédico, do Câncer) pelo mesmo tipo de abuso, esse feito pelo Procon local.
É evidente que a sociedade cartorial é mais forte na Capital onde estão se concentrando os poderes pelas vinculações de ordem afetiva, familiar e de conexão econômica. Basta lembrar a ação desenvolvida por Aníbal Khury durante décadas sobre todos os poderes de Estado, razão pela qual Canet Júnior o denominava amavelmente de "o poder". Uma subversão sistemática do diagrama tripartite de Montesquieu em "O Espírito das Leis".
Aliás essa constante simetria nos Três Poderes esteve presente ainda nos episódios da eleição de Fábio Camargo para o TC, dada a forma impetuosa como o desembargador Clayton Camargo dela participou, dando azo a que se presumisse uma advocacia administrativa em favor do filho como se viu em denúncia no CNJ, quando a escolha pela tradição independia desse empenho paterno e o presidente do TJ simplesmente seguiu a linha consuetudinária da Casa e o impulso clânico.
Aí curiosamente quando um experiente membro do Ministério Público e autor de numerosas ações em Londrina, Leonir Batisti, ingressa no Gaeco na Capital percebe-se uma resistência, intrainstitucional, depois de apanhar uma quadrilha na polícia de delegados e gente da hierarquia média e inferior no achaque a empresários, para que se tire o ferrão da vespa justiceira. Por mais racional que seja o óbice levantado pelo secretário de Segurança quanto ao revezamento dos quadros de apoio aquele núcleo há a presunção desse fator cultural nada desprezível, algo que vai às vezes além da percepção comum.

Incidente
O bar "Aos Democratas" teve princípio de incêndio ontem abafado por seus próprios funcionários, mas quando lembramos da boate "Kiss" de Santa Maria logicamente se pergunta como um estabelecimento de vários andares e sem elevadores como esse da Capital opera normalmente sem qualquer restrição do Corpo de Bombeiros? Trata-se de um dos maiores pontos de lazer curitibano, também uma casa de espetáculos, evidência de que o drama da Kiss não rendeu as cautelas preventivas esperadas.

Anomalias
Uma verificação em obras da Copa por equipes do Ministério do Trabalho detectou más condições de trabalhadores na Arena da Baixada.

Reforma
O TJ só examinará a reforma do Palácio da Justiça, segundo o presidente interino Paulo Vasconcelos, após a eleição do novo corpo diretivo. Na verdade é preciso pensar mais na imagem da instituição, depois dos últimos incidentes, do que nas instalações por mais relevantes que sejam. Isso, no mínimo, para não lembrar, indiretamente, a passagem bíblica do sepulcro caiado.

Folclore
Do setor comercial do Canal 12, em que eu era editor de jornalismo, me avisam que a apresentadora tinha usado a expressão "semafôro" ao que respondi na hora que isso era um desáforo. O da advertência percebeu o trocadilho uma hora depois. O semáforo dele não estava ligado.

Troca troca
Segundo a manchete da Folha de S.Paulo o troca-troca da Câmara já envolve 9% dos deputados. Como mudam a filologia e a semântica: nos tempos líricos de guri troca-troca era uma coisa profundamente ética.

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