LUIZ GERALDO MAZZA
Ajustes desnecessários
Todos os poderes de Estado aqui se entendem harmoniosamente: o Caixa Único, o acesso do Executivo aos depósitos judiciais, o Legislativo tentando provar, o que é verdade, que a eleição de Fábio Camargo operou dentro das tradições, afinal o governador também o apoiava. Só ações externas, como a agora recente do Conselho Nacional de Justiça e outras equivalentes da Polícia e Justiça Federal, Tribunal de Contas da União e Procuradoria da República, removem as águas dessa lagoa parada.
Como internamente não há conflitos e oposição com musculatura suficiente, tudo é compadrio, convívio. Só o conflito gera luz e novamente veio de fora.
Pergunta-se agora se ele será suficiente para levar a sociedade a um ato de purgação de culpas quanto a essa mediocridade hibernada, tombada, como se fosse um valor histórico e artístico e não uma deformação abominável.
A aliança existente - confirmada naquele documento legislativo em que passou o atestado a si próprio de honestidade e reproduzido no portal do Judiciário - é interesseira, pragmática, e ratificadora da velha tradição de obediência servil dos deputados ao governador em todas as designações do gênero como sempre aconteceu, inclusive na de Ivan Bonilha, embora uma das vagas de conselheiro, atribuída a Maurício Requião, como TJ e TC o admitiram, ainda se mantivesse sub judice. O Judiciário, esclareça-se, deu como legal a investidura de Maurício e depois, sob novo governo, a negou.
O abandono de Clayton Camargo apenas reafirma a fragilidade, uma casca de ovo, desse ajustamento às conveniências do cartorialismo, mas que internamente é indestrutível ao menos na manutenção das aparências, o perfume da burguesia.
Mais adesão
Um dos últimos atos de Clayton Camargo foi conceder segurança para que Cid Vasques permanecesse no posto o que impediu o julgamento do caso pleiteado pelo Gaeco ontem no Conselho Superior do Ministério Público. O Gaeco é fator diferencial, mas obstaculizado porque independente.
Renúncia
O presidente do CRM do Paraná, Alexandre Bley, renunciou ao posto por discordar das pressões do governo federal no "Mais Médicos". Ocorre que o próprio Conselho Federal recomendou o afrouxamento da resistência na questão da regularização dos colegas de fora. Popularmente, ganha o governo. E pouco importa que seja demagógico, pois esse é o viés do nosso fazer político.
Síndrome
Corrupção não é uma doença e sim uma síndrome: Ministério do Trabalho, da Previdência, Agricultura (Conab), Relações Institucionais, provam que é um estilo em moda e um tanto quanto descuidado.
Folclore
Na guerra do pente um repórter da Rádio Cultura enunciou que uma criança de seis a sete anos tinha sido morta a patadas de cavalho: "o fato ainda não foi confirmado, mas caso o seja o furo é nosso!". Nem fato, nem furo, mais agito na baderna que sitiou Curitiba por três dias em que a PM foi impotente para conter o ataque a lojas de árabes e quebra-quebras. Na esquina da XV com Marechal um carro blindado do Exército soltou a lagarta e parou. Aí um curitiboca perguntou ao oficial que tocava a viatura se aceitava que ele e outros a empurrassem. Uma gozação bem ao nosso jeito.





