Os mais iguais
Temendo os efeitos políticos de um confronto com os professores, Beto Richa puxou o freio de mão na austeridade e decidiu pagar os atrasados (total de R$ 48 milhões) deles e dos servidores da Educação. Os idos de agosto de 1988, que marcaram Alvaro Dias para o resto da vida, tinham sido a causa do acordo com os reivindicantes quanto aos resíduos milionários, mais tarde inviabilizados pelo Conselho de Gestão Administrativa e Fiscal.
Bastou o chio inconformista dos sindicalistas para que fossem reabertas as torneiras da gastança, o que pode igualmente assanhar, e com todas as razões, os guardas de presídio que tinham uma promessa anterior do governo, igualmente não cumprida.
Como se vê também na perspectiva oficial há uns mais iguais do que outros, bastando contar com maior capacidade de mobilização e com isso ameaçar o projeto pessoal do governador, a prioridade da reeleição. A austeridade, como se percebe, não durou uma semana. Afirma-se que com o caixa único as coisas são facilitadas.

Faz de conta
A Urbs aparenta estar em guerra com o cartel do transporte coletivo na capital, o que não a impediu de exigir mais 130 ônibus dos concessionários. Há barreiras jurídicas, lembradas pela assessoria do sindicato das empresas, que dificultam a anulação da licitação com indenizações dos 300 ônibus novos e ainda da outorga de R$ 265 milhões.
De outro lado o caráter autárquico da Urbs elide responsabilidade de Beto Richa, que formatou o processo, e Luciano Ducci, que o concluiu.

Licenciado
O desembargador Clayton Camargo, presidente do TJ, cogitou um pedido de férias para complementar sua recuperação, mas surpreendentemente reassumiu ontem as suas funções presidenciais, ainda que em horário restrito por indicação médica. No CNJ correm processos contra ele, um de venda de sentença e outro de tráfico de influência na escolha do filho, ex-deputado Fábio Camargo, para o TC, sobre o qual a Assembleia Legislativa se manifestou dizendo que exerceu soberanamente suas prerrogativas nesse ato com o que repele insinuações.

Folclore
O vereador Jorge Bernardi, motivado pela CPI dos ônibus, ao interpelar Marcos Isfer, ex-presidente da Urbs, quase ficou ruborizado quando foi lembrada a sua condição de secretário de Trabalho do governo municipal.

Cabos
O abandono de cabos elétricos em Curitiba nas ruas, criando dificuldades até para movimentação de pessoas, irrita, mas apesar dos protestos e promessas nada se faz para melhorar o cenário deprimente.

Copel
Não apenas Londrina, mas também Curitiba, não concorda com a postura imperial da Copel na instalação de seus serviços na parte urbana sem qualquer observância de respeito à proximidade de casas de saúde, escolas e também condomínios que podem ser prejudicados pela poluição magnética.

Resistência
O Conselho Federal de Medicina está orientando os conselhos regionais a concederem o registro provisório aos profissionais do exterior. A resistência dos conselhos regionais apenas agravava a imagem profissional e nossa vocação do patrimonialismo e corporativismo. É um gesto de boa vontade, especialmente considerando que as áreas atendidas não contam com médicos por suas precárias condições de infraestrutura.

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