Pouco tempo
Ainda no topo das intenções de votos, Beto Richa enfrenta, nesses dias e mais ainda nos próximos meses, desafios cruciais: a demanda dos professores é, ao lado da que promovem os guardas de presídio, a mais delicada por resultar de empenho da palavra dos seus secretários, compromisso de honra, inclusive no caso do magistério festejado nas ruas em passeata. Nesse cronograma aziago há ainda a desesperada busca de recursos para fechar as folhas do pessoal do fim de ano e que montam R$ 3,6 bilhões num instante de escassez de recursos.
É a travessia do Rubicão que sinalizará se o fim de ano será amargo ou doce, tantas as energias até lá dispersadas. Hoje tem chance de faturar parcialmente o retorno da Audi, ontem celebrado em Brasília por organismos federais, pela parte que lhe caberá nesse compromisso e momento adequado para um balanço em torno das inversões acumuladas que superariam os R$ 20 bilhões, tantas vezes referido.
Ultrapassada a etapa e cicatrizadas as feridas, virá o momento da seriedade: o de fazer o serviço de casa até hoje desprezado especialmente nas finanças e na postura, um pouco mais de austeridade, mormente se não vier o maná bíblico de Brasília, há tanto aguardado, daqueles recursos retidos e dos investimentos bloqueados. Medidas heroicas como o corte de secretarias e cargos em comissão conflitam com o projeto mais imediato da reeleição.

Correções
Pequenas correções administrativas em andamento como a transformação do Instituto Simepar em empresa e também a relativa à Rádio e TV Educativa revelam o ritmo lento do que chamam de reforma. Ausência de pique.

Obviedade
O esperado relatório do Tribunal de Contas constatou o óbvio na existência de cartel em Curitiba, induzido pelo setor público desde a sua origem nos anos 50 com os chamados "monopólios de áreas seletivas", mas entende a licitação como anulável. Essa matéria se passasse pelo colegiado do TC, um dos seus membros, Ivan Bonilha, isentar-se-ia por suspeição, uma vez que era aquele tempo o procurador do Município de Beto Richa-Luciano Ducci. Outra obviedade: a reidentificação jurídica da Urbs, olhada como anômala, híbrido de sociedade anônima e empresa pública.

Ausência
Faz falta nesse momento, tanto na questão da Urbs como na crise do Coritiba, a intervenção do jornalista Cândido Gomes Chagas. No conselho coxa não deixaria pedra sobre pedra e mostraria a culpa conjunta da diretoria em mal negociar jogadores (vender seus melhores ativos como Leandro Donizetti e Everton Ribeiro e trocá-los por reservas e adquirir "baleados") e gerir na contramão da história do clube perdendo duas finais nacionais.

Folclore
Houve um tempo em que polêmica literária em Curitiba dava briga feia e rupturas para toda a vida. O historiador David Carneiro e Leonor Castelano pelo Centro de Letras do Paraná entraram em conflito com Valfrido Piloto. A contenda foi de tal ordem que David e Valfrido se encontraram num guardamento e até o falecido, dizem, passou mal.

Quem paga?
O transporte coletivo da capital não chega a um consenso com o relatório do TC: da licitação para cá, além do pagamento de R$ 265 milhões pela outorga, os empresários adquiriram mais 600 ônibus, quem os indenizará? Se houver nova licitação teremos pendência como também se tudo continuar como está.

Sinistro
Incêndio dos depósitos da Electrolux e o choque de 23 carros na BR-277 em São Luis do Purunã, a medida da tragédia de ontem.

mockup