Parcelamento do 13º
Não são poucas as unidades federativas que deixam de pagar o 13º por falta de caixa e as alternativas encontradas, como ia se dando com o último reajuste do funcionalismo, aquele de 6,9%, acabam no consenso do parcelamento. Foi grande a resistência do funcionalismo estadual, e do seu setor mais organizado, contra o parcelamento, até porque pretendiam um mínimo de 13% e o governo oferecia pouco mais da metade.
Entre as hipóteses levantadas agora, se ficar inviabilizado o pagamento simultâneo das três folhas de novembro-dezembro, é justamente o de pagar os dois meses sem antecipação, observando-se o rigor das datas, e parcelar o 13º, embora haja a perfeita noção de que no primeiro trimestre há queda expressiva de arrecadação.
Trata-se de um acidente de percurso com implicações políticas sérias e que afetariam a posição de Beto Richa, ainda como líder tranquilo nas pesquisas da corrida eleitoral. O funcionalismo não absorveria esse fato, mesmo que escudado na Lei de Responsabilidade Fiscal, sempre o salva-vidas dos governos gastadores. Percebe-se o esforço incomum do governo para encarar a pendência em iniciativas como a adotada na triangulação Sanepar-Copel, no esforço junto ao Judiciário para obter o empréstimo dos depósitos judiciais e em outros fronts da União, valendo-se da abertura proporcionada pela liminar do STF que abrandou os rigores do bloqueio da Secretaria do Tesouro Nacional à vinda de recursos.

Saída
Quem estaria de saída da Secretaria da Fazenda é Luiz Carlos Hauly e bem antes do prazo de desincompatibilização para disputar vaga na Câmara Federal, embora tenha afirmado, tempos atrás, que só o faria depois da solução do problema das folhas do funcionalismo de R$ 3,6 bilhões (novembro, 13º e dezembro).

Mais tensão
Semana que vem, além da possível greve dos guardas de presídio, é esperada a reação do professorado e servidores da Educação contra a resistência ao pagamento dos atrasados (acertado na celebração dos 25 anos das bombas no Centro Cívico) em função do ato proibitivo do Conselho de Gestão Fiscal.

Descoberta
Vivemos o tempo do Pedro Bó: descobrimos que somos vigiados por Tio Sam e em Curitiba a CPI municipal conclui que há cartel nos ônibus. Ora transporte público ou é monopólio estatal ou privado ou é oligopólio, isso é associação das interessadas sob concessão pública. Aí também quem será prejudicado, no âmbito político, é Beto Richa que, como prefeito da Capital, promoveu a licitação, sugerindo expectativas melhores para a administração do sistema e quem lhe deu continuidade foi Ducci (Luciano) que perdeu a reeleição no primeiro turno pelo esquema que se eternizava, desde Lerner, no poder. Há uma curiosidade: quem interrompeu a série foi Maurício Fruet, pai de Gustavo, como nomeado por José Richa e depois Requião, em pleito direto, em 1985, e depois só deu o mesmo time. Requião foi o introdutor do gerenciamento público pela Urbs e exploração privada sob permissão. Nunca houve ruptura, agora há ameaça.

Folclore
Um redator do "Estadinho", escrevendo sobre gastos, intitulou a matéria "Dinheiro não é capim". Seu colega, Coelho Júnior, ligado em agrostologia, tascou "Capim é dinheiro". No dia de receber o vale do João Baptista Moraes, o gerente, Coelho percebeu que no seu envelope em lugar de dinheiro havia capim. Era a sutileza de um tempo de boemia e sem rancor no jornalismo.

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