Clima de Macbeth
O assassinato do superintendente da delegacia de Campo Largo levou à mobilização máxima dos policiais civis que decidiram não mais prestarem serviços de escolta de presos. Parece que é inseparável das pressões classistas o dado mórbido da morte de alguém, fundamento também do acerto que Beto Richa fez com os guardas de presídio, depois da morte de três deles na Grande Curitiba, de lhes pagar mais 23% agregados à gratificação. Acerto, esclareça-se, que não cumpriu e justifica o acampamento no Centro Cívico.
Da mesma forma que uma catarse coletiva em junho jogou a população nas ruas em defesa do mais difuso dos interesses, essas mortes, a mais recente do Marcos Antonio Gogola, rompeu a inércia de velhas reivindicações dos dois grupos funcionais em atos clássicos de resistência civil e isso dentro de um governo pasmo, cujo secretário de Segurança, Cid Vasques, é subjudice porque protegido por liminar de uma das câmaras do TJ para não ter a sua licença derrubada pelo Conselho Superior do MP. Ontem o estado de greve dos guardas de presídio foi aprovado em ruidosa assembleia e dão prazo de uma semana ao governo para então ser deflagrada a parede, mantendo-se até lá a operação padrão em andamento.
Com as mortes despertando os vivos, há quase um clima de Macbeth, aliás profetizado pelas bruxas, enquanto remexiam o caldeirão de feitiçaria, num governo aparentemente tão tranquilo e permanentemente festivo.

Fechar a conta
No momento em que as reivindicações se avolumam e o Caixa se revela mais fraco, o governo aperta sua base parlamentar para aprovar a estranhíssima operação do acordo acionário na Sanepar (segundo Tadeu Veneri haverá perda de R$ 358 milhões na transação) para drenar algum em função de uma dívida de um bilhão da empresa mista com o Tesouro estadual. É parte da operação, que se repete todo ano, de fazer uma limpa, especialmente nas repartições com verbas industriais como o Detran e a Junta Comercial, para garantir o 13º e as duas folhas cumulativas de novembro e dezembro do funcionalismo. Que sufoco!

Judiciário
Anteontem na reunião do Órgão Especial, o presidente do TJ, Clayton Camargo, decidiu reabrir a questão das 25 vagas novas para desembargador ignorando a recomendação em sentido contrário da Corregedoria do CNJ para que houvesse maior empenho em atender a primeira instância.

Cabalístico
Curto o hábito de fazer a prova dos nove para ver se um número é bom e o meu da OAB, 1881, dá zero. Pois voltei a pensar nisso ontem quando vi o registro da ação do então procurador-geral Botto de Lacerda, número 7929, noves fora nada, referida ontem na CPI do Pedágio, questionando os aditivos de 2002 e 2005. O presidente da CPI acha que os governos até aqui só encenaram...

Folclore
Numa dessas tensões no Oriente, lá pelos anos 50, os sírios-libaneses saíram como agora às ruas para protestar. E pediam aos lojistas que fechassem as portas. Quando passaram pelo Louvre, na rua XV, de Miguel Caluf, o dono foi lá até os manifestantes subiu numa cadeirinha e fez discurso em árabe: às primeiras palavras, palmas e entusiasmo; depois foram recuando e acabaram deixando o local. O delegado da DOPS perguntou o que ele tinha dito e lá veio a explicação que protestar de longe é bonito, mas nunca suficiente, porque os nossos irmãos precisam de armas e aí ele se comprometeu a abrir um livro-ouro com tantos contos e a turma se mandou.

mockup