Sigilo a quebrar
Decepcionados com o informe do Tribunal de Contas de que não há tempo hábil para auditagem nas contas das consorciadas do pedágio, os membros da CPI deverão se virar com os dados disponíveis que, como na investigação anterior, se revelarão insuficientes, o que mostrará a inocuidade da providência. É que estão convencidos que precisariam desses elementos para fundamentar uma quebra de sigilo telefônico e fiscal das empresas.
Se o governo continua negociando com as pedagiadas, em andamento algumas de porte como a duplicação de Campo Largo, é visível que soa inútil a CPI se as partes envolvidas se mantém em permanente entendimento. Ocorre que o público, que afinal é quem paga a conta, não tem a mínima informação sobre como se dão tais entendimentos evidenciados com as obras em andamento, algumas de peso, não se conhecendo se elas decorrem da manutenção do serviço que garantiria pela lucratividade essas realizações ou se serão compensadas no futuro, seja por novos ajustes tarifários ou prorrogação contratual.
Antes de buscar quebrar o sigilo formalmente das empresas caberia, isso sim, devassar esses entendimentos entre poder concedente e concessionárias, até aqui protegidos e não detalhados. Só falta, pois estamos na terra de Macondo, o governador alegar que isso não pode ser clareado, já que protegido por uma cláusula de confidencialidade. O primeiro sigilo a quebrar é esse, a não ser que admitemos que a delegação que concedemos ao governador seja igual a que se conferia, na fase mais primitiva da monarquia, como decorrente de uma forma, bastante incisiva, de Direito Divino aos príncipes e reis.

Degelo
Relações entre Urbs e o cartel do transporte público deterioraram em função da troca de grupo no poder com a eleição de Fruet. A descontinuidade - tal a certeza comprovada de gestões sequenciais da mesma orientação - gerou conflito não suficiente para a ruptura. Tanto que mesmo havendo um caso de dependência extrema como o Instituto Curitiba de Informática, ICI, de quem a cidade é refém no processamento de dados e de outros organismos como Dataprom, a prefeitura hesita em investigá-los.

Segurança
Não bastasse a resistência do Gaeco à presença do secretário de Segurança e mais os desdobramentos da novela da menina Tayná tivemos ontem, em Campo Largo, o ataque à escolta de um preso e a morte de um superintendente da delegacia. O preso foi levado pelos quadrilheiros. No interior prosseguem ataques a caixas eletrônicos e casos de lojistas que sofreram mais de cem assaltos, isso na Capital.
Convenhamos que a muda de secretário não altera esse caos.

Agito
Pelo menos, nas redes sociais, já há três manifestações para amanhã, uma delas com mais de 10 mil confirmações. No Rio decisão judicial proíbe os mascarados e encapuzados. E se forem mil, como se fará para levá-los à delegacia de polícia para averiguações, como exige a Justiça?

Folclore
Estudantes fazem baderna nas ruas nos anos 50. O delegado Mamão, Pedro Darci de Souza, os recebe no Plantão e ao notar que são oficiais da reserva por integrarem o CPOR ao invés de levá-los ao Exército fica dialogando com o desejo irrefreável de puni-los. E quando soube da condição militar e até a de um deles, sobrinho do governador, "amavelmente" lançou dois deles pela janela da delegacia na calçada da Barão do Rio Branco e como se os estivesse protegendo deu o conselho: "Se mandem se não vem aí a polícia do Exército!".

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