Duas atitudes
Nem sempre a atitude de maior gravame é a que mais onera politicamente um agente. Tanto Beto Richa quanto Gleisi Hoffmann, que provavelmente irão polarizar o pleito de 2014, acumulam, por culpa de seus assessores, ônus que serão intensamente explorados na campanha eleitoral: para a ministra-chefe da Casa Civil há o episódio fortíssimo do seu ex-assessor, Eduardo Gaievski, ex-prefeito de Realeza, denunciado pela prática de pedofilia contra menores em situação de risco, que estava foragido e acabou preso no fim de semana em Foz do Iguaçu. Não entra na cabeça de ninguém, com todos os dispositivos de filtragem do governo federal, que nada se soubesse em torno de tão veementes antecedentes. Paga a ministra por uma deficiência inaceitável da estrutura de poder que aliás nada havia captado dentro do que ocorreu com os ministros afastados na faxina da presidente Dilma Rousseff.
Já em relação a Beto Richa há algo que lateja como canal dentário infeccionado: aquela rocambolesca estória do seu Chefe de Gabinete, hoje secretário do Cerimonial, Ezequias Moreira, cujos laços afetivos desafiam a contingência política, que tomava uma grana, sem a beneficiária sabê-lo, da sogra na condição de servidora fantasma do Legislativo estadual. Apesar da espantosa engenharia financeira, o governador tanto não se importou com o fato como premiou o seu auxiliar com funções mais elevadas como a de Diretor de Relações com o Mercado da Sanepar e agora na hierarquia secretarial e próxima, muito próxima, do chefe.
Insiste-se em alegar que ao devolver a grana, mais de meio milhão de reais, o delito teria sido elidido, neutralizado, como se não houvesse lesão grave aos códigos de probidade e que exigiriam a recomposição da ordem jurídica violada com a punição exemplar do autor, que segue tramitando na instância própria. E se o Ezequias paga indevidamente em sequelas de sua presença no governo como no diálogo com o delegado Luis Carlos de Oliveira, apontado como chefe de gangue que explorava a "malha produtiva" dos desmanches em que nada o compromete a não ser a intimidade com que tratava pessoas sob acusação pesada como se fosse um ponto relevante do estafe para demandas funcionais.
É claro que Gleisi tratou de mostrar espanto e perplexidade, afirmando porém que o ex-assessor deve pagar pelo mal feito; já Beto Richa se manteve rígido na defesa do auxiliar, inclusive recorrendo até à hermenêutica teológica ao afirmar que se pune mais o pecado do que o pecador, isto é, o pecado é abominável, o que nem sempre se estende ao pecador.
Isso que hoje parece grave amanhã pode ser substituído por fatos ainda mais pesados na medida em que investigações sobre atos ou omissões mais chocantes possam ser arguidas. Num caso a solidariedade inconteste do governador, para muitos o sentido clânico do grupo, já que o ator é ligado à família desde a gestão do pai, José Richa: no outro uma desculpa bem assemelhada aquela de Lula ao saber das descobertas do "mensalão" - o não sabia, ainda que o autor, no caso José Dirceu, estivesse ao seu lado como figura máxima do seu governo.

Arquivo
Vereadores curitibanos querem aprofundar tanto as investigações da CPI dos ônibus que andam de olho até nos arquivos mortos da Urbs.

Bicicleta
Bastou o prefeito Gustavo Fruet, em sua posse, dar uma pedalada para que se pretenda instituir o mês da bicicleta nas campanhas educativas de trânsito.

Folclore
Quando houve acampamento simultâneo no Centro Cívico de professores e MST, o então prefeito Requião prometeu que batizaria o primeiro filho de sem terra com professor.

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