Compromisso por osmose
Muito se discutia se Getúlio Vargas se arreglava com sua guarda pessoal em ações como a deflagrada contra o jornalista Carlos Lacerda e o seu protetor, major Rubens Vaz. Nunca se provou que o ex-presidente estivesse interessado no atentado, mas também se raciocinava que Gregório Fortunato, Chefe da Guarda Pessoal, não teria peito de engendrar a cilada.
Discute-se agora como é que Gleisi Hoffmann, ministra-chefe da Casa Civil, não conhecia a suposta natureza psicótica do seu auxiliar, ex-prefeito de Realeza, Eduardo André Gaievski, cuja prisão preventiva acaba de ser decretada.
Da mesma forma não há como entender a insistência de Beto Richa em conceder tratamento especial ao seu auxiliar, Ezequias Moreira, a despeito da gravidade dos atos de improbidade que praticou, dando-lhe apoio como chefe de gabinete quando deputado estadual e depois na relação política entre prefeitura e a Câmara e na designação para diretor da Sanepar de Relações com o Mercado e agora como secretário do Cerimonial. Os delitos são igualmente infamantes, mas desagregadores na visão familiar: um abusando de menores em situação de risco e outro usando a sogra para servir-se de dinheiro público.
Diferença: Gleisi demitiu o auxiliar, Beto promoveu-o na hierarquia. Mesmo que não abram a boca são expressões de uma permanente denúncia, mas aí Gleisi levou a pior porque Garevski argumenta que tudo não passa de uma armação para prejudicá-la como candidata ao governo pela oposição. Ambos quietos são um perigo e uma tragédia falando, como se viu no papo de Ezequias com o brother delegado, mesmo que a conversa não o tenha comprometido. A intimidade basta.

Estranheza
A notícia de que a Procuradoria de Justiça teria iniciado investigações sobre o vazamento de informes do Gaeco à RPCTV na degravação de depoimentos e mais a exigência da orientação interna da Segurança para que delegados não se deixem entrevistar sobre o chuncho dos policiais pode até se justificar em normas funcionais, mas criam no público a presunção de que se pretende algum tipo de blindagem político-ideológica.

Frágil
Mesmo com apenas dois vereadores de oposição, Gustavo Fruet vai mal nas relações com a Câmara de Curitiba mormente nos projetos polêmicos. O fato de o governo não decolar, faltar-lhe energia e carisma, está na base de tudo. Em tudo a procura do meio termo seja no aluguel de radares ou na questão dos táxis e ônibus. Pelo jeito a cidade, é refém dos terceirizados do ICI, o é da Consilux.

Breque
O Black Bloc foi, acaipiradamente, breque: 50 para 200 policiais. Se fosse o contrário teríamos quebra-quebra.

Folclore
Depois de tantos anos se analisa, em sessão pública, os abusos do uso das calçadas por bares, bistrôs e restaurantes. Como a calçada é extensão do bar, o pedestre passa a ser invasor. É possível conciliar, mas o pedestre é o maior marginal de Curitiba em todos os sentidos.

Devedores
Já tivemos a CPI dos grandes devedores e os planos de recuperação fiscal, mas a Dívida Pública anda perto dos R$ 18 bi e não se sabe o que fazer com ela. Agora se pensa na execução cartorial que aparenta resolver a dramática falta de recursos do governo estadual, ora abrandadas com a superação dos bloqueios da STN.

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