LUIZ GERALDO MAZZA
Fim da euforia
Na fase auspiciosa da economia, a ordem era o triunfalismo e agora com a queda da atividade e dos salários, bem como da redução no consumo, ainda há o adicional da volatilidade do câmbio. Essa é a melhor hora para raciocinar, inclusive para o governo estadual com a perspectiva, bem concreta, da liberação dos empréstimos e a injeção de recursos na praça. Mas aqui não há jeito, o clima de lua de mel persiste e não há sinais de que os sustos os tenham colocado diante da realidade e aconselhado um mínimo de austeridade.
Flanelinhas
No empenho de vereadores da capital para regular a atividade dos "flanelinhas" uma questão semântica: eles querem ser chamados de "guardadores de automóveis" como os engraxates se dizem "lustradores de sapatos". Em Curitiba tiraram os lustradores da Boca Maldita e os colocaram ali perto na "Boca do Brilho". Nada como um eufemismo para o politicamente correto.
Pós-Affonsinho
Gustavo Fruet quer pegar o bastão do Affonsinho Camargo, este pai do vale-transporte, com um novo tipo de financiamento para essa assistência. Bem longe da ambição de Henry Ford, gênio da produção em série, que desejava ver seus empregados como seus clientes na posse dos automóveis da fábrica em que trabalhavam, séculos atrás.
Arrastão
Ação concentrada na fronteira de força-tarefa da Receita e Polícia Federal e órgãos estaduais apreendeu 63 toneladas de maconha.
Caixa preta
O fato de a CPI dos ônibus ter colocado na internet o relatório das empresas não significa que a caixa preta foi aberta, pois como os vereadores também os internautas terão dificuldades imensas em decodificar os documentos.
Folclore
O delegado Pedro Darci de Souza estava no plantão quando a guarda civil lhe informou que um oficial da Aeronáutica transava no banco redondo da Praça Osório e mais que o abusado dizia ser "imprendível". Charuto na boca lá foi o "Mamão" atrás do flagrante e o cara continuava numa boa. Pediu-lhe os documentos e alegando que não os enxergava aproveitou o isqueiro para queimar a identidade do milico e dar a ordem aos auxiliares "baixem o pau nele que ele acaba de dar baixa!". Os tempos eram outros, as pessoas também.
Tolerância
A extrema tolerância da autoridade com os vândalos decorre de um raciocínio: o temor de ser ou parecer autoritário, resíduos do regime fardado, quando não parece existir outro papel quando a paz pública está sob risco se não o de dissuadir, dissipar, vale dizer reprimir. Seria bem anedótico ontem a PM desmilitarizar-se, mas usar o fardamento do Black-Bloc para enfrentá-lo.
Apenas 52%
Gilberto Amaral, do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário, afirma que 52% de qualquer atividade, como a do transporte coletivo, é tributo. Com essa deficiência orgânica é impossível avançar. Desonerações adotadas são boas, mas insuficientes.
Redução
Mas no oficialato da PM há economia: em 2012 havia 70 vagas para o vestiba da Academia e em 2014 serão apenas treze.
Hauly
Hauly anuncia que vai deixar a pasta fazendária, onde não consegue nomear o seu preferido para a hierarquia fiscal, mas isso se daria de qualquer jeito, já que disputa a reeleição na Câmara Federal e a desincompatibilização é imperiosa.





