Nódoa irremovível
E de repente não é que pinta nas gravações do Gaeco um papo do delegado Luis Carlos Oliveira, apontado como chefe de quadrilha, junto ao secretário Ezequias Moreira, do Cerimonial, tentando que ele intervenha junto ao "chefe" maior, provavelmente o governador (ou seria o secretário?), para evitar que o solicitante perca espaço na área de Segurança. Obviamente a degravação não dá a entender, em qualquer momento, que o solicitado esteja disposto a apoiá-lo, posto que o tratamento entre eles seja de muita intimidade, nominando-se como "brother".
Paga o governador, neste caso, por seu empenho em amparar Ezequias, marcado a ferro e fogo, por causa da malandragem aplicada na própria sogra, fantasma da Assembleia, e cujos salários iam para a conta do artista, do gabinete do deputado Beto Richa. Com o ato de lealdade a um infrator notório, o governador acabou timbrando o seu auxiliar como alguém de "corpo fechado" e como uma referência para solicitações, mormente as pouco ortodoxas, o que não é incomum nos estafes.
Ezequias para melhor corresponder à doação pessoal do governador deveria passar a ser discreto, uma espécie de sujeito oculto da oração, observar como penitente "silêncio obsequioso" e não fazer o festeiro no grupo, alegre e descontraído, imperando no protagonismo, como se a nódoa tivesse sido afastada pelo removedor faísca. Um infrator que tem tudo para atrair infratores e com isso acrescentar ônus ao governador que o defende por ter sido amigo e auxiliar do pai, José Richa.

Novo momento?
Essas ações do Gaeco estariam indicando que nos encontramos num novo momento de maior vigilância dos Poderes, uma vez que o próprio Tribunal de Justiça tem estado no foco das ações fiscalizadoras do CNJ. A condenação de Lerner, já ratificada no TJ, é também um indicador nessa direção, antes inimaginável.

Euforia
A maior causa do governo no momento é a derrubada das limitações, por causa de descumprimento de convênios e da Lei de Responsabilidade Fiscal, o que foi obtido em liminar do ministro Roberto Barroso no STF. Embora com abrangência limitada, é uma pausa no sufoco financeiro. O curioso é que ou o oficialismo não acreditou na informação ou preferiu vê-la aos cuidados de um colunista normalmente crítico em relação ao governo. O fato é que o governo se vê com tanto descrédito que preferiu a notícia em área mais alheia e independente, daí haver somente ontem explorado o candente tema. Notícia, convenhamos, boa para todos.

Pactualismo
Nas relações do transporte coletivo (e que em passado recente envolviam a Câmara Municipal e a base governista) há o pactualismo que se repete na remoção do lixo, aluguel de automóveis e informática. O cartel quer que a prefeitura não renove, neste fim de mês, o contrato com o Dataprom, velho protegido orgânico do sistema junto com o Instituto Curitiba de Informática e cujo custo operacional de R$ 700 mil oneraria a tarifa e ainda não confiável.

Folclore
Se as emendas impositivas fossem como a do deputado Ângelo Vanhoni de R$ 110 milhões em favor de melhorias urbanas em Paranaguá elas seriam justificáveis.
Pena é que nem sempre tenham tal conteúdo.

A mãe
Mãe curitibana, como já disse, não é aquele modelo assistencial e sim essa convergência de prestadores de serviços e empreitadas que gravitam em torno da prefeitura da Capital e que se pensava que seria o primeiro ataque do novo prefeito, enroscado no caso dos táxis e dos ônibus.

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