Calcanhar de Aquiles
Apesar dos inegáveis investimentos na área de Segurança ela continua sendo o calcanhar de Aquiles do governo do Estado. Embora instalações de Unidades Paraná Seguro tenham reduzido a criminalidade, elas não funcionaram, como se esperava, como substitutas da ausência do Estado no social, pelo menos como sugere o exemplo maior do Rio de Janeiro. Como se não bastasse a incompetência larvar do caso da menina Tayná em Colombo, num festival de bater cabeças, percebe-se que a autoridade de um lado admite que os supostos criminosos, os quatro rapazes do parque de diversões, foram torturados para confessar e, com isso, como os mantém na condição de acusados, monta um processo fragilizado que pelo fato alegado tenderá, como a tradição o indica, a sofrer reparos na Justiça.
Agora o Gaeco indiciou quatro delegados e vários outros policiais como integrantes de uma quadrilha que extorquia vendedores de peças de veículos, malha produtiva dos desmanches, e isso tudo em cima de gravações telefônicas autorizadas judicialmente. É muita carga negativa para evidenciar - levando-se em conta episódios anteriores como o da invasão da mansão de jogos e prostituição supostamente protegida por policiais encapuzados de uma ala sindical de oposição, e ainda resíduos do episódio da morte da menina Rachel Genofre, que se arrasta sem solução há cinco anos - o quanto esse setor governamental é vulnerável.
Percebe-se aí a ausência de pulso do governador que pelos fatos acumulados deveria, como dirigente, ter uma atuação menos contemplativa, até porque, candidato à reeleição, está aí um dos aspectos mais negativos da gestão. Por sinal que a Segurança nos tais contratos de gestão, "perfumaria" que já era usada na prefeitura da Capital, é uma das que mais se distancia das metas projetadas na apuração que o Tribunal de Contas fez do assunto.

Energia e comando
Impensável uma quadra dessas com Roberto Requião. Não que fosse bom exemplo, todavia pela circunstância de manter-se tão ligado na área que chegou a ser o seu próprio secretário, mostrava um ativismo, recheado de bravatas. Foi em seu governo que mataram o líder sem terra Teixeirinha em represália aberta ao linchamento pelo MST de três PMs em Campo Bonito, episódio que levou o Brasil a ser condenado pelo setor de Direitos Humanos da OEA, Organização dos Estados Americanos. Beto é o oposto do seu antecessor nesse particular e isso não apenas no lado meritório de sua posição atraindo investimento estrangeiros e nacionais, mas na remarcada apatia de um comandante que não comanda a tal ponto de a área de Segurança ficar ameaçada de repente de boa parte dos seus efetivos ficar presa como já se dá com os torturadores de Colombo.
Uma analogia com governos anteriores mostrará que de um modo geral o setor sempre foi gerido por alguém sintonizado com o governador. Ney Braga levava uma vantagem, já que foi Chefe de Polícia, posto correspondente ao de agora atribuído aos secretários. Ganhou expressão política ao enfrentar nos anos 50 um caso de sequestro e morte de um taxista, algo inconcebível para a época, cujo corpo foi lançado na represa do Vossoroca. Ali nasceu a relação do major com os taxistas, embora tenha, por dever de ofício, evitado o linchamento do delinquente, mas obtido a confiança da categoria que seria um dos setores que o apoiaria para prefeito da capital, deputado federal e enfim para governador em 1960.
Não há uma "liga" a não ser a cerimonial entre o governador e seus delegados de confiança. Acentua-se no caso da Segurança.

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