LUIZ GERALDO MAZZA
A autarquia se move
O Paraná e sua Capital especialmente foram sempre beneficiadas pela omissão institucional de órgãos internos (Ministério Público, Justiça, polícia, Tribunal de Contas) para enquadramento de autoridades. O caso dos Diários Secretos da Assembleia é exemplar: e o Ministério Público estadual só agiu depois que o seu congênere federal detonou a "Operação Gafanhoto" e que a mídia revelou desvios e fantasmices.
O compadrio da terra parecia bloquear qualquer iniciativa e ficávamos na dependência de órgãos externos para que algo mexesse no fundo da lagoa. Pois esse cenário mudou radicalmente e a notícia, não apenas das ações do Gaeco enquadrando delegados e servidores policiais, mas especialmente da condenação do ex-prefeito e ex-governador (ele se defende dizendo que nada pagou da tal indenização milionária) Jaime Lerner mostram uma nova realidade. Tomara que isso passe a ser uma rotina como o mensalão, a derrubada de Collor e o rito dos anões do orçamento teriam induzido nacionalmente.
De novo
Não se pode negar que há aspectos pedagógicos nas restrições que o TC mostra nos balanços governamentais como fez agora na questão previdenciária, nos dispêndios insuficientes em saúde e os gastos em propaganda. Um dia aquilo que o setor técnico (auditores, MP) apura estará mais próximo da decisão político-administrativa do plenário. O caminhar é lento, mas para a frente.
Essa relação não pode ser de cortesia e fidalguia, embora também não haja uma justificativa para ficar ferrando o governo, conquanto seja mais fácil fazê-lo com prefeitos, mormente os de municípios menores. Numa tacada recente ferrou prefeito, vices e vereadores de 162 cidades por abusos salariais.
CPI
Orientação jurídica dos depoentes do cartel dos ônibus é rígida na CPI e vai frustrar os que desejam barulho: alegou ontem que teve prejuízo de R$ 26 mi em 32 meses. E entregou um calhamaço para exame dos vereadores que precisarão de assessoria contábil-atuarial para decodificá-los.
Gestão
Os decantados contratos de gestão, "espuma" oficial, foram analisados por Nestor Baptista e os da área de segurança são os mais notórios. No item do desvio e da corrupção deve bater recordes como entende o Gaeco.
Folclore
O prêmio Esso de jornalismo, Carlos Kolbach, ex-Gazeta, é chefe do gabinete do conselheiro Fabio Camargo no TC. Se houvesse diários secretos no órgão ele certamente os detectaria.
OAB em ação
A OAB-PR quer investigação profunda no assassinato de Wellington da Silva Ventura que havia denunciado a ela maus tratos na PM, em que frequentava curso de formação, e acabou encontrado morto. Estava impelida, pelas circunstâncias, a esse procedimento.
Dedo duro
No regime militar o dedo duro era abominado, mas hoje é maior fator de sucesso nas ações policiais, especialmente apreensão de drogas. Da mesma maneira que no passado se sugeriu um monumento ao "picareta" na fase pioneira do norte-oeste-sudoeste paranaese (Curitiba não poderia ficar fora do mapa com seus papeleiros que vendiam o pote de ouro do arco-íris) acredita-se que o delator oculto poderia ser uma versão do soldado desconhecido.





