LUIZ GERALDO MAZZA
Sempre no ranking
Publicações recentes do IBGE destacaram a posição do Paraná: uma num dos mais agudos indicadores sociais, o da mortalidade infantil, em que aparecemos em terceiro lugar com 10,8 óbitos por mil nascidos vivos quando há 30 anos a marca era de 54 por mil, uma redução de 80%. O tura decorrente da condição de terceira frota de automóveis do país com seis milhões de veículos circulando.
No primeiro como avanço em políticas sociais perdemos de dois vizinhos da região sul, Santa Catarina com 9,2 e o Rio Grande do Sul com 9,9. Abra-se aqui um parêntese para insistir na tese de que devemos manter constante analogia no Brasil meridional para termos, aí sim, perspectiva de novos horizontes e saber em que medida há avanços e recuos ante paradigmas razoáveis.
Já no segundo referencial a visão do quanto crescemos nacionalmente em função do desenvolvimento interno, vitalidade enfim da nossa economia, hoje bem mais diversificada do que anteriormente. Dá para imaginar em que ponto chegaríamos se tivéssemos infraestrutura adequada, um dos nossos mais terríveis pontos de estrangulamento, na evidência de que ainda em julho conseguimos aumentar em 2,4% a exportação de veículos e uma expansão de 7,4% no mercado interno.
Obviamente isso comprova que os avanços não se dão em função de um governo iluminado mas, sim, da continuidade de procedimentos, da rotina, que leva a saltos como o alcançado em três décadas na expectativa de vida. E já em 1980, época referencial, o Rio Grande do Sul e Santa Catarina apareciam em primeiro com 36,5 por mil e em terceiro com 46,1. O Paraná era o décimo com 54 por mil e tende a aparelhar com os dois nesse item. Continuidade, persistência, nas ações de proteção à maternidade e à infância.
É um erro os governos se apropriarem indevidamente de indicadores sociais ou macroeconômicos ocultando o andamento dessa marcha que reafirmará a relevância de em questões vitais não haver quebra das rotinas e aperfeiçoamento constante dessas práticas pelo conhecimento acumulado.
Cartelização
Foi Alvaro Dias, aqui no Paraná, à época da construção da hidrelétrica de Segredo, quem denunciou a formação de cartel entre empreiteiras desde a etapa de desvio do rio Iguaçu e teve inclusive que enfrentar os humores do empresário Cecílio Rego Almeida, aquele mesmo que destituiu Leon Perez. Apoiado no conhecimento de José Gomide, uma das autoridades em hidrologia da América do Sul, montou um consórcio de três empresas da terra e tocou a obra. A demanda ganha pela CR Almeida, aqui referida, era a do estágio de desvio e negociada com o governo Lerner, segundo o senador.
Cartéis são comuns inclusive numa verdadeira pré-qualificação nas licitações como se verificou na primeira etapa. Elas se tornam mais visíveis em mega-projetos como os de metrôs e trens e é claro nos de trem-bala.
Médicos
Médicos já foram mais radicais e até um tanto quanto caricaturais ao ponto de haverem oficialmente combatido o fato de leigos tirarem a pressão de pedestres nas ruas como se estivessem praticando um sacrilégio - o tão decantado ato médico, ora em polêmica por causa dos vetos presidenciais. Pois ontem enquanto médicos tiravam a pressão do povo nas ruas, outras categorias como a da enfermagem, nutricionismo, defendiam diante do Legislativo os vetos.
Consenso sem dissenso não existe notadamente no que é polêmico. O fato é que mexeram no fundo da lagoa e abalaram a sua placidez.





