LUIZ GERALDO MAZZA
Apropriação de índices
É costume da terra o governante apropriar-se de indicadores macroeconômicos como obra sua e de mais ninguém. Na verdade esse nexo causal é um tanto quanto forçado porque no processo, principalmente nesse do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal, IDHM, que foi ao ar ontem, há intervenção não apenas de governo, em seus três níveis, como a atuação empresarial e das pessoas e ainda a dinâmica da economia e da sociedade.
O período avaliado abrange nacionalmente as gestões de Fernando Henrique e de Lula e no caso regional de Roberto Requião e Jaime Lerner. O ideal seria que se considerasse tudo um processo contínuo: por ele veríamos que o país, tanto quanto Estados e municípios, opera interativamente. É que não é apenas a natureza que não dá saltos, mais ainda o desenvolvimento econômico e social que decorre de um andamento contínuo, visível nas revelações do IBGE em suas publicações como a Pesquisa por Amostra Domiciliar entre outras.
Assim tanto os efeitos cumulativos na renda como na escolaridade e ainda na expectativa de vida se dão ao longo do tempo em qualquer indicador como o da queda da taxa de natalidade (fator que levanta a renda e exalta as ações de atendimento primário à saúde) ou melhoras de standard de vida em saneamento como fator profilático de primeira ordem. O importante é que o IDH ressalta a importância de evitar a dicotomia entre o econômico e o social, pois se só um desses vetores se der bem há risco de recuo.
Um atraso
Não é a primeira vez, como ressaltamos, que se frustra o desenvolvimento do litoral na busca de industrialização portuária (estaleiros, produção de plataformas de petróleo). Na verdade mais do que esses casos isolados há o do Porto de Pontal que abrangeria um zoneamento industrial, um mega projeto. Quando não é a soma de incidentes na licença ambiental, burocratíssima e que breca qualquer iniciativa ascensional, é a luta regional, estimulada pela guerra fiscal.
O Paraná, aliás, é altamente prejudicado na questão do mar territorial (isso na perspectiva dos royalties) e as ações desenvolvidas para remover obstáculos são igualmente lentas demais. A perda desses 900 empregos no Pontal nas obras da Techint é de impacto muito forte.
Não é o Papa
Saia justa anteontem para o governador em Rio Branco do Sul: manifestante deu uma dura em Beto Richa em torno das reivindicações que o grupo suscitava na hora da assinatura do convênio para a duplicação da rodovia dos minérios. Um samaritano oficial recolheu o documento reivindicatório, mas a exposição de políticos, diante da atmosfera atual, é sempre um risco. O Papa é um só.
Referência
A ultrapassagem dos gaúchos nos números do IDHM é relevantíssima: se há um referencial para medir o nosso desenvolvimento é o sul até porque mormente nos dados sociais perdemos feio quase sempre.
Folclore
Há quatro anos o processo crime contra o ex-deputado Ribas Carli anda em ritmo tartaruga: Guarapuava, que teve neve 50 anos depois, faz anedota com o evento sugerindo que o júri, se houver, só se dará após outra nevasca.
Anti-Fábio
Nas redes sociais convocação para protesto contra a nomeação de Fábio Camargo amanhã diante da Reitoria.
OAB paranista
OAB em parceria com a Procuradoria Geral do Estado atua no CNJ pela liberação de 70% dos depósitos judiciais tributários: a resistência era ao processo anterior, considerado inconstitucional. O modelo de agora foi rejeitado pelo presidente do TJ, Clayton Camargo.





