LUIZ GERALDO MAZZA
Uma situação-limite
O governo paranaense está naquela posição que os filósofos chamam, com aguda precisão, de "situação-limite": insistiu, agora com outra tecnicalidade, em buscar saída para o sufoco financeiro nos depósitos judiciais ainda que alertado de sua interdição pelo Conselho Nacional de Justiça. Volta à estaca zero e mantem-se na armadilha de em cima do processo eleitoral dar o vexame de não pagar obrigações primárias como o salário do funcionalismo.
A situação-limite leva à catarse e dela a inspiração, mas apesar de postado nesse beco sem saída, insistiu na facilidade da operação imaginada, embora seu alto custo, como alertou o deputado Tadeu Veneri, em parcelas anuais de quase meio bilhão de reais (taxa de 20% ao ano), transação mais cara do que a do Banestado (15% anuais). Tenta recurso e sabe que será difícil emplacá-lo. Está alertado, portanto, há muito tempo e não deu um só sinal sério no sentido de brecar a ânsia de gastos e obviamente continuará a sugerir que o culpado é o governo federal e os ministros da terra que não vestem a camisa da província.
O fato é atípico na história paranaense, apenas com Lupion tivemos atraso de pagamento dos funcionários. Mesmo sob Requião, por determinação do secretário Heron Arzua, o IPVA drenava para os duodécimos da folha do 13º, mês a mês.
Garantias
Na verdade o bloqueio à operação por parte do CNJ é mais pela ausência de garantias do que por sua proclamada inconstitucionalidade, daí não ter sentido a agressão, um tanto quanto gratuita, de Beto Richa em cima da OAB. É só deixar carimbadas as verbas de transferências da União como suporte à operação e pronto. O que não significa que a OAB se conformará.
Intriga
Requião colocou em seu blog imagens de reunião da Aneel e depoimento de um conselheiro que afirmou que a Copel não precisava do aumento de 8% (que ela havia pedido 14%) em vigor, pois nos exercícios anteriores ela se negou a reajustes e assim mesmo teve lucros. Autopropaganda já de sentido eleitoral e de vantagem na comparação entre ele e Beto Richa.
Museu geológico
Emperrado o Museu Geológico do Parque Estadual de Vila Velha pela demora no convênio entre o governo e a fundação Bigarella. Em 1961 Ney Braga montou um grupo de trabalho, em função da estrada Curitiba-Ponta Grossa que cortava o parque, para estudar as formas de aproveitamento turístico. Dalí surgiu a ideia de um Museu Geológico, já que Vila Velha é, por si, um fragmento da memória geológica da humanidade, inclusive da Terra de Gondwana e da teoria de mobilidade dos continentes. Vila Velha foi fundo de mar, geleira, e tem sinais de semelhança em fósseis (trilobite) e na rocha matriz com os do deserto africano. Inclusive minérios como os diamantes do Tibagi.
Folclore
Aqui se critica muito um desembargador por se empenhar pelo filho, aliás em demanda menor, a do Tribunal de Contas, quando dois ministros do STF se mobilizam pela nomeação das filhas como desembargadoras. Os pais amam filhos, mas Fernanda Torres não depende da mãe, Fernanda Montenegro, para ser atriz e Bruno, filho de Bernardinho, para figurar na seleção de vôlei.
Ainda o Ibope
73% dos pesquisados do Ibope afirmam que Beto Richa e seus secretários não aplicam adequadamente os recursos públicos. E é um dos bons índices da lista de governadores. Também na questão como teria reagido ao rumor das ruas está com a mesma nota de Dilma (3), mas abaixo da média dos colegas (3.8).





