Caíram as fichas
O Estado paranaense, sob o ponto de vista fiscal, está quebrado. Não é ainda um caso como o de Detroit nos Esteites, declaradamente sob concordata, embora não seja a impressão que se tem diante dos homens do governo, sempre à beira da euforia como se tudo tivesse começado ontem e não mais terminasse. É a síndrome da lua de mel: o governo está no finzinho, não disse a que veio e há nele a certeza da reeleição animado pelas pesquisas que são uma espécie de neve, de maná bíblico, à gestão sem obras. O apoio do Judiciário ao sufoco financeiro estadual – um "empréstimo" de 30% dos depósitos judiciais não fiscais - está armado quase com as mesmas normas daquele que foi derrubado por ação da OAB-PR junto ao CNJ. Assinado o projeto ele vai ao Legislativo em que certamente passará possivelmente com a oratória contrária de Tadeu Veneri.
O dever de casa o governo não faz: cortar severamente dispêndios com tantas secretarias e cargos em comissão (mais de 4 mil), impor a austeridade não como cataplasma mas imposição cirúrgica, enfim, sair dessa catatonia de estátua sorridente. Para nós, a ficha caiu; para o governo, não.

Segurança
Nada mais claro para revelar o desempenho governamental como a Segurança. Agora rolou mais uma cabeça, a do delegado-geral, Marcus Vinicius Michelotto, que resistiu às primeiras turbulências que culminaram com a saída do chefe, Reinaldo de Almeida Cesar, hoje sumido no sistema de trocas como certamente se dará com a de hoje. Mas o problema continua e é de gestão, pois recursos expressivos têm sido colocados na pasta em pessoal e equipamento. De repente, a punição da tortura, efetivamente relevante, se tornou mais clara do que o andamento das investigações da morte da menina Tayná.

Nevinha
Neve mesmo a de Guarapuava, a de Curitiba e Região Metropolitana nevasquinha.
Em 1975, enquanto a neve deslumbrava os curitibanos (lembro de um texto meu nesta FOLHA "a nave nívea da neve nova"), a geada negra dava a pá de cal na cafeicultura, o fim de um ciclo. Há riscos de geadas no Paraná e hoje o café está presente, sob a forma adensada, especialmente no Norte Pioneiro, em que há produto de alta qualificação. Paraná de primeiro a quinto produtor.

Golpe
Investidores da Capemi (daquele tempo do Montepio da família militar e assemelhados) estão sendo convocados para receber supostos haveres desde que paguem o correspondente a custas judiciais. Um jornalista de Curitiba deu R$ 18 mil de cobertura e recebeu um cheque de R$ 230 mil completamente frio. E nas tratativas, via telefônica, botam supostos coronéis na linha.

Folclore
Atribui-se a Paulo Pimentel a recusa em federalizar a Universidade Estadual de Londrina pelo fato de a União não se dispor a fazê-lo com Maringá. Se tinha ou não razão, dá para ver no chio dessa fábrica de aviões em Maringá e que se credita a uma opção do secretário Ricardo Barros, daquela cidade.

Médicos
Médicos podem estar cheios de razão em suas causas: seja a da hierarquia no ato de diagnosticar e curar (afinal, dentistas não o fazem?), na questão do aumento em dois anos do curso de Medicina e na da importação de colegas. Sua imagem como profissão, junto ao povo, não é positiva e isso atrapalha.

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