Metrô: prós e contras
Não há um só caso de construção de metrô, ao longo de século e meio, que não se tenha observado uma constante: seus idealizadores superestimam seus feitos, que jamais atingem as demandas projetadas, e subestimam seus custos que sempre ultrapassam o indicador imaginado. Além dessas verdades incontestáveis que decorrem de estudos e pesquisas sistemáticos, no âmbito acadêmico, a demora na construção é o triplo do imaginado.
O pior, no caso de Curitiba, sempre apontada como "modelo", inclusive para exportação como o desempenho do BRT na Colômbia, melhor do que o original, há ausência de foco, perturbada justamente pela apologia em torno do modal, e com isso há a perda da visão integrada, atribuindo-se dimensão salvacionista à opção nova. O fato é que não se discutiu, com a ênfase devida, a adoção do metrô, seguindo-se uma tendência nacional e que vem reproduzindo em termos de cronograma, de custos e retornos aquilo que a via acadêmica refere. Estão aí os exemplos de Salvador, Bahia, Brasília, Distrito Federal e o do Ceará.
O metrô entronizado - e isso já na fase de planejamento - há uma perda de perspectiva em torno do que foi alcançado, lembrando-se que São Paulo, o olho do furacão, ainda aposta, apesar de todos os investimentos no modal, na alternativa dos corredores específicos para ônibus, prova de que o salvacionismo imaginado não elide opções disponíveis e necessárias.
Técnicos de Curitiba não acreditam nos custos imaginados, na tal oferta de R$ 1 bilhão, pedem mais do que o dobro e incluem a proposta em meio a outros aperfeiçoamentos no sistema atual num pacote que vai a mais de R$ 4 bilhões. Se a União acatar, a proposta emplacar, tudo bem? Não há muita convicção no que se propõe e menos certeza ainda de que a construção levará muito mais tempo, o custo crescerá geometricamente e os benefícios serão bem menores como sempre.

Lei seca
O Detran informa que houve redução de mortes no trânsito com a Lei Seca. Pior é que no mesmo dia dessa notícia positiva há a tragédia da morte de 8 jovens num acidente em Quedas do Iguaçu com sinais de uso de bebidas alcoólicas.

Frágil
Talvez seja o frio e a umidade, mas os agitos programados no jogo do Atlético e, agora, na posse de Fábio Camargo deram xabu.

Depósitos judiciais
Pelo jeito um vaso comunicante entre poderes tentará assegurar a saída do governo do sufoco financeiro com autorização para utilizar 30% dos R$ 6 bilhões dos depósitos judiciais em favor do Executivo. A proposta será enviada ao Legislativo depois do recesso, lá por 5 de agosto. A OAB-PR, que impediu a primeira manobra de uso dos depósitos judiciais, vai agir novamente no CNJ.
Montesquieu não imaginou esse ajuste na tripartição dos poderes, mas aqui há sempre criatividade que extrapola o sentido da melhor doutrina. Juristas do governo elaboram "O Espírito das Leis", versão dois.

Folclore
Um dos orgulhos de vigaristas era ter enganado o maior combatente da área, o delegado Ladislau Bukowski, vendendo-lhe como canário um pardal pintado.

Agora?
O Tribunal de Contas, como já havia feito em relação a outra consorciada, iniciou a auditagem sobre a Rodonorte. Antes tarde do que nunca, mas em São Paulo os lucros abusivos foram detectados pela agência reguladora que mal começou a funcionar por aqui, embora anunciada com estardalhaço.

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