LUIZ GERALDO MAZZA
Ativismo cívico
Pelo jeito entramos num ciclo sem retorno no ativismo da cidadania, hoje em intensidade e frequência atípica. É verdade que há sinais de fadiga quando se percebe que o número de comprometidos nas convocações do facebook mal chega aos 15%. Só para protestar contra a designação de políticos ao Tribunal de Contas havia convocação para ontem e com repique depois de amanhã.
Há quem diga que o ativismo é melhor do que a apatia militante. Há um ponto em que ambos se tornam inconvenientes quando a recusa à participação se torna um método, um modo de ser, o que é a alegria dos governos de um modo geral, por dar a impressão que a apatia é uma aprovação indireta ao que acontece, e quando também o ativismo se torna saturante e despreza todas as formas de controle social das artes ao futebol, da religião à dissipação nos vícios.
Esse despertar de um sono profundo da sociedade brasileira, expresso nas manifestações de rua, pode gerar um novo condicionamento da autoridade, como se depreende nessa busca desesperada de respostas do governo ao parlamento, mas também cair no extremo niilista de que não perseguimos um sonho e sim estamos numa imersão de um pesadelo.
Tarifa
"Baixa, Fruet" foi o apelo programado para ontem por uma nova queda na tarifa dos ônibus. A propósito os empresários, hoje em atrito aberto com a Urbs na CPI municipal, sugerem que desonerações tarifárias de impostos e taxas municipais poderiam reduzi-la em até 25 centavos. Eis os cortes: ISS (2%), Taxa de Gerenciamento (4%) e outros custos administrativos (limpeza e manutenção de terminais e estações-tubo). Alguns deles vieram depois da licitação. Um dos
absurdos é os 3% da folha de pagamento para o Sindimoc que o Ministério Público do Trabalho ameaçou combater e ficou por isso mesmo.
Para fugir da quebra as empresas afundam a Urbs: contrataque destrutivo, o abraço do afogado.
MRV
Ontem, na sede da construtora nacional MRV, no Batel, um protesto de mutuários por entrega de casas com defeito, infiltrações, rachaduras etc. Ativismo do consumidor e do usuário faz parte da moda.
Ônus
Melhorou a infraestrutura do atendimento à saúde pelo maior número de postos e hospitais 24 horas e, com isso, cresceu também a demanda e as evidências das falhas e até de tragédia como essa da morte do paciente no Pinheirinho.
Folclore
Governo que não tem obras, como o de Beto Richa, aposta em pesquisas, cada hora aparecendo uma em que ele não parece afetado pelo agito popular, o que sugere, pelo menos para alguns institutos, ter o corpo fechado, enquanto a Dilma... É um desafio à ciência.
Mais agito
Apesar do "cansaço" das convocações, os ativistas apostam sobretudo na do dia 1º de agosto no retorno dos parlamentares. A do dia 22, posse do Fábio Camargo no Tribunal de Contas, também tem previsão forte.
Olho em Sampa
Paraná atento às revelações de lucros exorbitantes, bem além do que está disposto nos contratos de pedágio e do transporte coletivo em São Paulo. Aqui a acomodação é maior.
Trem
O arquiteto Lolô Cornelsen continua defendendo a tese de que a ferrovia que circunda a capital deveria ser aproveitada para transporte coletivo.





