LUIZ GERALDO MAZZA
Falta de comando
A pior das síndromes caracteriza o governo paranaense: ausência de comando. A despeito das vantagens que tem sobre seu antecessor em termos de equilíbrio pessoal não exercita a chefia, a mobilização, como houve em energéticos como Ney Braga e convalescentes como Parigot de Souza.
O episódio lamentável da menina Tayná é a prova dessa carência ao permitir que o desdobramento da tragédia se transformasse numa comédia do tipo pastelão erodindo o respeito a instituições que nela intervieram, aí incluído o MP, Ministério Público estadual pela circunstância de o secretário de Segurança ser originário da corporação. A forma como se apurou a tortura dos presos é ausência de unidade operacional não apenas na pasta do inquérito policial, reveladora, porém, de um esforço para mitigar a ineficiência, já que a prova de violência contra os supostos autores poderia ser interpretada como saída humanística e de sentido de respeito a direitos humanos afrontados.
Já se declarou como "imprescritível" o delito de tortura, o que não foi suficiente para bani-lo das práticas comuns em delegacias. À medida que ouvimos o relato dos acusados - e apenas o que é suportavelmente higiênico é divulgado- aproximamo-nos de um teatro Grand Guignol.
Médice, um dos mais eficazes ditadores do Brasil, ficou marcado para sempre não como o torcedor de futebol, o campeão do mundo de 1970 e o recordista em nossa história de PIBs chineses, e sim como torturador. Ao que se saiba não era ele o autor da violência, mas seu convalidador. A fragilidade de Beto Richa em termos clânicos e de comando está exposta, a não ser que dê o murro na mesa, ainda que fugindo ao estilo conciliador.
Perdas
Segundo estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o Paraná aparece em sétimo na lista com redução de expectativa de vida de 1,68 ano, conforme reportagem de Lucio Flávio Cruz nesta FOLHA de sábado. Esses dados são de uma pesquisa "Custo da Juventude Perdida no Brasil" em que se cruzam informes do IBGE. Mais de 1,9 milhão de jovens, entre 15 e 29 anos, foram vítimas de morte violenta (homicídios, acidentes e suicídios), entre 1996 e 2010 no Brasil, o que induz reflexão sobre essa trágica perda de capital humano. Há uma perda de bem-estar equivalente a R$ 79 bilhões anuais, custo igual a 1,5% do PIB.
É claro que a queda de 16% de homicídios no primeiro semestre no Paraná surge como relevante, mas insuficiente quando feita a analogia com outros Estados na relação da taxa de violência por 100 mil habitantes.
Torta
Nossa política é um filme pastelão e se alguém lançar uma torta no rosto de um imaginário adversário estaremos apenas diante de uma redundância. Arremesso de torta no engenheiro da Urbs que depunha na CPI municipal do transporte coletivo, por parte de militante do "Passe Livre", é relevante mas não tem a importância da revelação da Siemens do cartel que funcional em linhas de trens e metrôs em São Paulo e Brasília. É o Brasil moderno oposto ao circo da terra com a estória da menina Tayná, a CPI do ônibus e a eleição do TC.
Novidade
Saber que os Esteites nos vigiam é a descoberta da pólvora. Já a denúncia da Siemens de que participa de cartéis parece ter aquele sopro do berreiro das ruas, mas também é o óbvio. Imaginem o trem-bala sem esses arranjos.
Folclore
Será que a torta, como instrumental de protesto, endireita os costumes? O fato é que continua saborosamente torta.





