No encruzo

Bem, no encruzo, há expectativa de "despacho" como pode ser também, conforme a tradição, a instalação de mais uma unidade Carrefour. Há quem imagine, pelo cenário, o Chic Jeitoso, dado ao esoterismo afro, como um garoto propaganda da mais importante rede mercadológica. Todavia quem permanece na encruzilhada, com seu projeto reeleitoral, é o governador Beto Richa: uma delas a pendência com o aparato burocrático da Secretaria do Tesouro Nacional, STN, a dificultar os dribles que nela se pretende aplicar. Tentaram manobra fazendo os cálculos sem os aposentados, mas a STN processou o recálculo com os inativos. Como se vê um jogo de paciência, de xadrez, que exige concentração para evitar "mancadas".
Outra encruzilhada é a da área de Segurança: primeiro os elevados índices de homicídios que botavam o Paraná no ranking nacional, sendo impossível analogia com São Paulo, cujos indicadores são bem mais civilizados; depois o incidente com a invasão da mansão supostamente protegida (de jogos proibidos e bordel) por policiais encapuzados de um sindicato oposicionista, algo até hoje mal corrigido; em seguida as ameaças ao repórter Mauri Konig que se viu, por falta de garantias, que sair do Brasil por um longo tempo e isso apenar por ter mostrado crimes veniais de tiras e delegados usando viaturas para levar as crianças às escolas e até para estacionar diante de uma casa de tolerância.
Tudo isso numa sequência que agora vai cair no caso estarrecedor da adolescente Tayná encontrada morta em Colombo e hoje sob vigilância do Gaeco e da Ordem dos Advogados do Brasil pela manifesta evidência de tortura nos quatro rapazes apontados como autores, fato neutralizado pela perícia que constatou que o sêmen encontrado nas roupas da vítima não era de nenhum dos presos.

Sem saída
Se é mesmo um encruzo há saída. Até agora o que fez o governo: afastou dois delegados, o autor da versão e aquele que a ratificou, sugerindo que eles, empregados de um parque de diversões, teriam sido os autores da violência, e autorizou as diligências preliminares para que se apurasse a hipótese da tortura já denunciada pela área de Direitos Humanos. Mesmo assim não houve saída, persistindo a perplexidade: sem o clareamento do assunto podem rolar outras cabeças até por necessidade de descompressão para evidenciar que num momento de caos, como o decorrente das passeatas, ainda persiste o princípio da autoridade posto em xeque a todo instante.
O pastelão cinematográfico das explicações, inclusive o afastamento dos dois delegados, ambos da hierarquia, não é elidido e lança o ridículo sobre a instituição como se já não fosse insuportável a tortura. Abra-se aqui um parêntese: precisamos derrubar essa noção que só se deve olhar como status a exercida contra militante político, simplificação decorrente de interesses ideológicos, já que bater em ladrão de galinha, por uma questão essencial, ligada à dignidade humana, também nela se enquadra, posto que seja uma noção cultural da área de que "gato" se abre na dureza e no "pau-de-arara", enfim o "know how" da barbárie.
Dá para concluir que se o governo não sair dessa, o mais rapidamente, terá um constrangimento equivalente ao adivinhado em relação ao não pagamento da três folhas de dezembro do funcionalismo estadual. Se saísse dessa bem, dentro da normalidade, seria um feito superior à inauguração de mil unidades do Paraná Seguro.
Outra coisa: a resposta da Gleisi Hoffmann às entidades conservadoras, que intercederam em favor do governo estadual, mostra que mais do que a STN, a Receita Federal e a Procuradoria da Fazenda Nacional, pegam em nosso pé. Isso é no do governo, mas que nos atinge a todos.

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