Fermento permanente
Um vulcão em atividade, eis o Brasil de hoje como a manifestação de ontem, agora das centrais sindicais, o demonstrou. É melhor do que a calma aparente do vulcão extinto, mas não significa também que não traga problemas, cada vez mais complexos, ao conjunto da sociedade. A Federação Nacional dos Médicos cogita de entrar com ações judiciais contra o programa ‘’Mais médicos’’, tanto na obrigatoriedade de formandos prestarem serviços dois anos para o SUS ou na outra que diz respeito à importação de profissionais. A Associação Médica do Paraná tem assembleia geral, dia 16, para tratar dos temas.
Estouro da boiada ou a fagulha na pradaria, na metáfora de Mao, o fato é que nossas contradições de caráter corporativo afloram: há portuários contra o que o governo pretende como há outros favoráveis e também médicos, entre eles o ministro, que acham válidas as propostas oficiais apresentadas, mesmo que concordem que elas não resolvem o problema histórico do baixo nível de atenção primária à saúde. Uma espécie de simpósio sobre nossas carências se processa nesse momento.
Sabe-se que a normalidade não é assim e que no agito nem sempre se apura o que é melhor para a maioria, pois nem numa Constituinte se consegue tanto engajamento. Vale lembrar o seguinte: ‘’Diretas Jᒒ perderam a batalha chave no Parlamento, mas acumulou energia para a vitória de Tancredo Neves no Colégio Eleitoral e não fosse a resistência a Paulo Maluf no PSD com a criação do PFL nem isso se teria alcançado. De contradição em contradição, há o parto da história ou da verdade como ensinava a dialética de Sócrates.

Uma efabulação
No jogo Flamengo x Coritiba da semana passada uma lição para autocontrole de manifestações de rua: um torcedor no Mané Garrincha jogou um copo na grama e foi ‘’entregue’’ à polícia pelos que estavam a seu lado. Assim deve ser feito com infiltrados nas passeatas que praticam vandalismo. No MST é comum retirar das suas fileiras aqueles que abusam do álcool.

Jornalista
Dispensa geral na Prefeitura de Curitiba e governo estadual de funcionários. Exceção para os jornalistas, afinal alguém tem que comunicar.

Bronca
Proprietários não concordam com os preços da desapropriação das terras para a hidrelétrica do Baixo Iguaçu em Capanema/Leônidas Marques: segundo eles, querem pagar em média R$ 40 mil por alqueire quando o preço de mercado é R$ 120 mil. Antes nem isso se discutia e o peso majestático do governo se impunha. Tarifas da Copel alguém discute?

Folclore
O deficiente visual na praia de Caiobá: ‘’Pelo odor estamos no Rio Belém!’’.

Concurso
Qual das centrais sindicais foi mais aguerrida e obteve mais exposição nos eventos de ontem? Vale mais do que pesquisa. Talvez, o governismo da CUT a prejudique em relação ao oposicionismo ocasional da Força Sindical.

Paradoxos
Lógica da rebelião: abrir as praças de pedágio e fechar as estradas é como abrir caminho para o precipício.

Oferta/procura
Pinhão a R$ 16 o quilo, tainha inexistente em época de safra. Como dizia o vereador curitibano: por que, afinal, não revogamos a lei da oferta e da procura?

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