Protagonismo obreiro
Da mesma forma que em tudo há espírito corporativo, os sindicatos, com toda a sua fama de organicidade em torno de suas centrais nacionais, ficaram à margem do ulular das ruas porque inclusive corriam o risco do repúdio como o mostrado contra partidos e movimentos sociais. Como demonstrou-se ontem essa guerra é contra a representação não apenas parlamentar, mas uma recaptura de possíveis ‘’procurações’’ a partidos, sindicatos, entidades liberais ou movimentos sociais por parte das pessoas dispostas a cassar todas as delegações, tanto as institucionais como as alternativas. Dir-se-á que os médicos continuaram agindo na sua resistência à vinda de colegas estrangeiros e agora também à obrigatoriedade dos formandos ‘’estagiarem’’ no SUS por dois anos. Aliás, provavelmente os formandos prefeririam isso a algo como o exame de Ordem para os advogados. Da mesma forma a OAB que segue em sua faina no acompanhamento da celeridade do andamento de velhas questões como a da derrubada do foro privilegiado, a liquidação dos milhares de vetos presidenciais, a derrubada da PEC 37, que ela apoiava.
A greve geral de hoje é um meio de o sindicalismo voltar ao olho do furacão como tem sido a sua tradição, inclusive a mais recente decorrente da chegada de Lula ao poder. Na medida em que ele se partidariza, se torna cooptado, como se dá há muito com a UNE e as UEEs, perde protagonismo e sua intervenção se dilui num papel secundário como se obrigado a ratificar as ordens do poder. É uma reflexão pertinente ao momento para recuperar o poder de fogo original, se é que não se trata, como dizia Mao Tse Tung do capitalismo, a que sucessores adeririam parcialmente, um ‘’tigre de papel’’.

Profecia
Todos sabem que os dispêndios com a Copa se tornariam sufocantes, sempre acima das previsões e isso se dará com a Arena da Baixada, tanto que o Tribunal de Contas desaconselhou a Fomento Paraná de continuar injetando recursos nas obras, pois verificou que a alegada transferência de R$ 184 milhões, documentalmente, já chegou em R$ 195 milhões. No Portal do Atlético o registro chega a R$ 219 milhões. Se o TC tem dificuldade para monitorar uma obra como essa dá para imaginar com os mais de R$ 30 bilhões do governo. Nos Jogos Pan-americanos o orçamento de R$ 700 milhões chegou a mais de R$ 4 bilhões e as obras detonadas como o próprio estádio Engenhão, condenado, é alerta contra o desperdício como aliás se verificou, ao menos na Copa das Confederações, que o incremento no turismo e no comércio não se deu nos termos da previsão.
O Paraná em crise (permanece o risco de não honrar as três folhas de novembro, 13º e dezembro do funcionalismo) sustentando isso como prioridade, uma piada.

Pressão
Há climas que favorecem mudanças como o das passeatas: frentistas acabaram ganhando o que pretendiam, governo estadual faz subir a conta de luz em 8,77% e finge que não tem nada com isso; CPI do pedágio instalada, tapeação certa.

De olho
Primeiro o leite envenenado, depois o alisador de cabelo com formol e agora uma operação concentrada contra anabolizantes.

Folclore
Caso da mocinha assassinada de Colombo recria a Loucademia de Polícia.

Quase um ano
Sétimo mês de Fruet: tudo na mesma, ônibus em xeque, lixo sem solução, ICI delicadamente acobertado. Em pouco tempo estará igual ao Beto Richa.

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