O limiar do juízo
Não apenas a classe política, de um modo geral, tenta aproveitar o furor das ruas, mas também os grupos sindicais, tão desprezados pela massa em desfile quanto os partidos políticos: a multidão sem rosto e sem guia quer ela só, embora a variedade dos objetivos que semeou, o comando do processo. Os que se sentiram atingidos vestiram a carapuça: derrubaram a PEC 37, que estava certa da vitória dos delegados de polícia, em razão da resistência à impunidade, algo vago, mas visível; projetos passaram a tramitar celeremente e até o nosso presidente da Assembleia, o Rossoni, acatou a CPI do Pedágio e a catadupa das denúncias ganhou velocidade com uso de aviões, incluindo os da FAB, a passeios familiares dos parlamentares e governantes, inclusive o do presidente do STF.
E vieram medidas, há muito represadas, aos borbotões como a de médicos por dois anos servirem ao SUS, espécie de serviço civil de natureza obrigatória e a aceleração do fim do foro privilegiados nos poderes.
Até ontem havia esforços da Justiça do Trabalho e de patrões e empregados para evitar a greve dos frentistas: havia um impasse já que a oferta era de 8,5% para os 18% reivindicados. Conectar uma greve isolada com a geral marcada para amanhã geraria transtorno bem maior. Pior se fosse nacional. O que não deixa de ser um consolo para tanta cabeça quente.
A torcida é para que esse ‘’background’’ seja mantido e com ele um alerta a políticos e administradores públicos, inclusive essa descoberta, tardia, do governo estadual de que o seu caixa estourou e é preciso algo mais do que um band-aid para enfrentá-la, mesmo que seja uma cirurgia heroica notadamente em período pré-eleitoral. Para que tanto desperdício e incompetência com tantos ministérios e secretarias estaduais?

Promessa velha
Todo esse manancial de promessas, repetido à exaustão, no chamado corte de verbas de custeio, agora novamente retomado pelo governo estadual, da ordem de 25% (combustível, viagens, energia, serviços terceirizados), tinha que vir acompanhado de sinais de reforma administrativa reduzindo drasticamente o número de secretarias e, com isso, os quadros de comissionados. A comparação do mestre Belmiro Valverde Castor Jobim ainda prevalece: o Estado é um eunuco, imenso, agigantado e impotente. E essa visão persiste no dia a dia. Não se trata de uma defesa do Estado mínimo, outra distorção neoliberal, inaplicável aos States, à Alemanha, à França, à Europa enfim do ‘’Welfare State’’, a ordem do bem-estar inviável numa estrutura minimalista. No grito das ruas um sinal da ineficiência do Estado justamente na parte que mais lhe cabe, a social, seja na Educação, Saúde e Segurança.

Só?
Pesquisa Ibope aponta: 81% dos brasileiros acham todos os partidos corruptos, quatro em cada cinco colocam em xeque a representatividade, daí a ilusão da democracia direta, prevista na Carta Magna pela primeira vez em 1988, ora exercida anarquicamente.

Folclore
Atlético Paranaense está num dilema: ou um técnico top ou então top top!

Fantasmice
Mensagem na essência igual à fantasmice legislativa, uma abre crédito e outra parcela dívidas sem dizer quanto e o por que. Igual o pedágio.

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