LUIZ GERALDO MAZZA
Ninguém escapa
A experiência com o governador do Rio, Sérgio Cabral, de acamparem na frente de sua residência vai repetir-se com Beto Richa em arranjo das chamadas redes sociais. Como a autoridade normalmente evitar parecer repressiva e até elogia o sentido das manifestações não é fácil, diante do contexto, encontrar o ponto de equilíbrio entre o direito às passeatas e o princípio da autoridade que de qualquer forma é erodido no processo.
Isso já foi pior quando o PT era oposição e cercava o Palácio do governo em São Paulo acuando o governador Franco Montoro ou mesmo nas ruas quando Mário Covas, em gesto raro de não concessão à patuleia, acabou, apesar de minado pelo câncer, trocando sopapos com sindicalistas. Pois agora tanto PT como PSDB são governo, um estadual e outro federal, e também não sabem o que fazer para conter o ímpeto da multidão.
Quem nomeia Ezequias como secretário não parece estar preocupado com imagem pessoal, confundindo um gesto de autoflagelação com misericórdia a um amigo. Mas há todo um aparato no estafe para que não se reprise Alvaro Dias naquele desastre com os professores em 1988. Aliás, é precipitado esperar muita adesão ao cerco da casa do governador e a marcha contra políticos no Tribunal de Contas revelou justamente isso: a entropia e a fadiga do material podem atrofiar essas convocações e não convém deixar-se levar pela paranoia.
Por que agora?
Da mesma forma que o berreiro contra a Copa é tardio também essa auditoria do TC sobre as pedagiadas, a despeito dos avanços e denúncias, soa fora de prazo. Ela não surpreende porque parte de auditoria do corpo técnico, pois se fosse submetida ao plenário seria filtrada politicamente como se dá com a rotina e o balanço do governo. O que o povo quer quando deplora o excesso de política é justamente pedindo um sentido mais técnico em órgãos como o TC. Aliás sua composição a qualquer momento pode ser fulminada, caso o STF decida em favor de Maurício Requião. Já o TJ quando Requião governava entendeu que a nomeação de Maurício era correta e depois, sob Beto Richa, decidiu o contrário.
Conveniência ou conivência ou as duas coisas.
Balança
Houve um tempo em que o Paraná se orgulhava das suas divisas líquidas no Porto como se tal fosse um sinal de modernidade: é que mais exportávamos do que importávamos. Depois de 11 meses voltamos a ter balança positiva com saldo de quase R$ 200 milhões num movimento de R$ 3,6 bi. A pauta dominante é de matérias primas (soja, bagaços, milho, carne de aves), mas o perfil mais avançado da economia é presente nas importações que sustenta a diversificação da estrutura produtiva. Expressões de miniciclos da economia, café e madeira, aparecem com 3,7%.
Táxis
Não temos vocação para recriar a ágora (da cidade-Estado dos gregos) como se viu anteontem na arregimentação dos taxistas. Se a prefeitura tem medo dessas convocações e apenas faz aumentar suas dúvidas que não a convocasse: ela criou o monstrengo que aí está e deve agora domesticá-lo.
Folclore
Há quem compare o Tudo Aqui, já em operação em várias unidades da Federação, pela extensão dos serviços ofertados aos atendimentos, conforme a propaganda, aos postos de combustíveis Ipiranga. Se ao menos fosse capaz de reproduzir aquele bem-humorado marketing já era um ganho em sedução.





