Fichas limpas
Se o princípio da ficha limpa valesse Renan Calheiros não presidiria o Senado e tanto os dois candidatos principais ao Tribunal de Contas não figurariam entre os postulantes bem como Taniguchi e Ezequias Moreira não seriam secretários. É verdade que Plauto Miró e Fábio Camargo não sofreram pena de órgão coletivo, mas praticaram atos, aliás comuníssimos, que por sua natureza fraudulenta os atingiria. Denúncia de aproveitamento de servidores-fantasmas na condição de agentes políticos faz parte da rotina legislativa, mas se o presidente da Assembleia Legislativa, Valdir Rossoni, se ajustasse à imagem que cultiva de saneador, moralista, não poderia, em hipótese alguma, omitir-se em momento tão solene quanto o desse ritual que precede a sabatina dos candidatos ao TC.
Na verdade, a ficha limpa, conforme a ocorrência, deveria dispensar a decisão por órgão coletivo que se deu no caso de Cassio Taniguchi julgado pela instância superior e que se salvou de duas penas de prisão pela prescrição, o que não lhe retira a condição de condenado. Só isso o tornaria proscrito para a vida pública, mas nem assim essa necessária ‘’capitis diminutio’’ lhe foi aplicada pela tolerância endêmica do governador.
Entre as causas geradoras do tumulto nas ruas e estradas está essa questão como uma das práticas mais abomináveis da política nacional e que leva o povo ao ceticismo incurável diante dessas ações e omissões.

Revisão
Aparentemente os casos de Plauto e Fábio se inserem como comuns e, em favor do primeiro, há a circunstância de ter devolvido os dispêndios com o agente político, que trabalhava em sua rádio em Ponta Grossa, e o acionou na Justiça do Trabalho. Foi, portanto, punido moral e financeiramente. No de Fábio Camargo o seu assessor alega que atua no campo social e não na montagem do programa de TV na Rede OM. Obviamente só uma interpretação radical das normas os enquadraria. De qualquer forma uma nódoa, da qual poucos escapam. No que tange à gravidade das faltas estariam longe de Taniguchi e Ezequias como autores de pecado, visto na corporação, como venial.

Penduricalhos
No contrato do transporte coletivo as empresas podem receber 3% se tiverem ganhos de produtividade que o poder concedente agora quer delas retomar por não terem sido provados avanços em qualidade. Além desse penduricalho, há o adotado em favor do Sindimoc, dos cobradores e motoristas, que recebem 3% do total da folha de pagamento a título não se sabe do que. A decisão deles de fazer parede na greve geral do dia 11 por pelo menos uma hora leva jeito de um alerta para que não mexam no ganho tradicional, como já tiveram até o de faturar em cima de cestas básicas que entravam na planilha da tarifa. Remover o limo em pedra afundada em rio não é fácil, no mínimo um "desfruet".

Confusão
O TJ divulgou nota de que teria recebido solidariedade do Ministério Público enquanto este alegou que no encontro havido foram abordadas apenas questões de traço institucional. Pelo jeito até cortesia é agora motivo de atrito.

Folclore
Como é possível compatibilizar essas ações da Prefeitura de Curitiba contra os ganhos de produtividade de 3% das permissionárias com aquele suntuoso e untuoso encontro de Beto Richa e secretários em torno do contrato de gestão?

Médicos
Na próxima eleição do Conselho Regional de Medicina é possível que uma chapa de profissionais de bioestética entre na parada.

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