Governo por reflexo
Se os bilhetinhos de Jânio Quadros criavam condições para que o setor público em geral, aí abarcando todos os poderes de Estado, agisse por reflexo dá para imaginar o que se dá agora com a procissão contínua nas ruas. Aqui deputados tinham enterrado, sem a menor cerimônia, a CPI do Pedágio, mas agora os bravos caminhoneiros na ocupação e bloqueio de estradas, muitas delas aqui no Paraná, estão incluindo entre os seus pleitos essa ação parlamentar, isso sem falar no não pagamento de qualquer tarifa. Uma coisa é posar de bonzinho com a base parlamentar hegemônica, tanto de Dilma como de Beto Richa, e outra é tomar posição com o ouvido alugado ao berreiro das estradas e das ruas.
Se as massas captarem esses sinais de fraqueza da autoridade irão certamente aprofundar os seus pleitos e se não se estancar esse processo teremos um clima no Brasil parecido com o da guerra civil espanhola. E convenhamos que se há algo que ainda não conquistamos é justamente isso: a República, até aqui, como sabemos, um simulacro dessa modernidade tão antiga e que poderia ter se consolidado tanto com a Carta Magna de 1891 como com a Guerra Civil de 1894, que a confirmaria como um referendo em armas e justamente a questionou.

Amnésia
Governantes apostam na amnésia do público: estamos agora com um flagelo equivalente ao que José Richa enfrentou nos anos oitenta com as cheias. Relatos espantosos dão conta de perdas de 8 mil cabeças de gado rio abaixo e com a cena mundo cão de ribeirinhos carnearem animais mortos ou fragilizados.
O pior é que no litoral as vítimas dos deslizamentos de quase três anos atrás continuam abandonadas e com as pontes da região ainda avariadas. Não é muito elegante lembrar disso porque o governador estava no Maracanã, mas é didático.

Nenhum
Não espanta o fato de não haver um só senador e deputado federal do Paraná na lista dos mais credenciados do País. É a nossa realidade. Fazer o quê? Talvez, adotando-se, com o plebiscito, o bloqueio à reeleição e o "recall" de todos.

Sem lucro
Custo tributário (impostos e taxas) das empresas de transportes seria de 51% e, portanto, se os vários níveis de governo abrissem mão do que levam as tarifas ficariam com valor mínimo. É o que diz o empresariado: todo estímulo para o transporte particular e montadoras e muito pouco, quase mada, ao público. Daí o caos urbano.

Folclore
A bonita professora de espanhol Maria de Lourdes Vítola, alvo do olhar da rapaziada dominante no Ginásio Paranaense, respondeu com elegância no quadro negro à ousadia juvenil "las chanzas de los chicos non me chocam". Sutileza didática em resposta ao cortejo também delicado.

Formol
Há mais de dez marcas de alisadores de cabelos interditadas pela dosagem excessiva de formol.

Tragédia
Defesa Civil de Querência do Norte informa que entre Icaraíma e Ivaté rodaram no rio mais de duas mil cabeças de gado e em fazendas entre aquele município e Monte Castelo mais de seis mil.

Cobranças
Tarifas de ônibus em Curitiba ficaram congeladas cinco anos beneficiando Beto Richa, que fez a licitação que consagrou os mesmos permissionários e cuja briga por indenizações no Judiciário, nem todas resolvidas, foi compensada pelo pagamento da outorga pelas empresas por mais de R$ 200 milhões. Sai no xixi?

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