Hércules no protesto
Hércules Gaio, dono de ferro-velho, situado diante da Loja da Havan da Linha Verde, resolveu também protestar e colocou-se diante da Assembleia Legislativa com algumas peças do seu acervo entre as quais um ônibus antigo e faixas pela baixa do pedágio.
No alto dos seus 71 anos sua vista descortina diariamente a peça ‘’kitsch’’ da Estátua da Liberdade, verde musgo, e o movimento dos clientes na imensa loja de departamentos, mas entendeu que o lugar apropriado para seu protesto seria diante do Legislativo, ainda mais agora efervescente com o drama da eleição do novo conselheiro do Tribunal de Contas. Confessa que gostaria de ser conselheiro para dar uma dura nos arranjos das pedagiadas. Foi lá também para quebrar o isolamento do Pastor que, com uma Bíblia nas mãos, faz pregações diárias naquele espaço.
E veio com um tom diferenciado nas manifestações: distribuía balinhas e caramelos aos transeuntes. Se esse for o primeiro trabalho de ativista, ele o terá mais de uma dezena pela frente. Como sua loja leva o nome de Eco, ele antes de tudo é um sonoro redundante e quem sabe faça mais sucesso que o seu antecessor, Roberto Requião, que prometeu fazer baixar ou acabar o pedágio e não conseguiu.

Agora vai
Termina o ano e o governo estadual não dá sinal de vida e agora tenta copiar os gaúchos para desatar os nós da Secretaria do Tesouro Nacional. Quem sabe a partir dessa promessa comece, enfim, a governar. Ano quatro, ano um.

Transporte
Como a Prefeitura de Curitiba se convenceu que pode continuar na condição de refém do ICI, desde que ao menos baixe os preços do serviço e os torne menos opacos ao olhar dos cidadãos, dificilmente apresentará inovação séria no caso dos transportes coletivos, já revelada na confiança demonstrada em torno do trabalho técnico da Urbs, tão fantasma quanto o cartel do sistema. A CPI terá menos impacto do que aquele filme mostrando a romaria de políticos à sede do sindicato patronal e que Requião explorou e mesmo assim não conseguiu evitar a vitória de Iris Simões à presidência da Câmara, irmão do secretário executivo do cartel, João Simões. A força eleitoral estava ali demonstrada.

Manifesto
Nas redes sociais se dava o número de 11 mil participantes dos protestos e pretextos de domingo na capital e o ajuntamento não deu cem. Se prosseguir nesse ritmo, a convocação perde força pela fadiga do material.

Folclore
Depois das manifestações e do protesto do homem do ferro-velho diante da Assembleia a cidade sente falta do populírico Liberalino Estevam fazendo comício de trovas neoparnasianas com bigas romanas. Na campanha de 1965 entre Munhoz da Rocha e Paulo Pimentel fez a trova ‘’Não assopre contra o vento// que o vento não tem lei// Seja Bento cem por cento// Mil por cento contra o Ney’’ Como queria mostrar independência entre as personas Castilho e Marambaia tascou-lhe um oposto ‘’Nesta era tão moderna// e de tanta confusão// Paraná não se governa// com uma garrafa na mão!’’. Era a repetição de uma lenda, criada também por um jornalista, o Barros Cassal, de que Bento bebia.

Raio xis
Eduardo Fenianos, o urbenauta, detalha que as condições de saneamento na capital, pelo que vê nos rios que navega, são as piores possíveis e acusa a Sanepar de com os sócios capitalistas (Dominó) olhar mais o faturamento do que a destinação dos esgotos poluindo a bacia hidrográfica do Iguaçu, já a segunda mais deteriorada do País, sobrepujada apenas pelo Tietê.

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