Identificação complicada
Essa convergência das classes produtoras com os governos estaduais é antiga, bastando lembrar que quando dois senadores paranaenses - Roberto Requião e Osmar Dias - insistiam, na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, em querer os detalhes dos protocolos das montadoras uma força-tarefa do empresariado foi a Brasília para neutralizar a ação dos dois terços de nossa representação. É que apenas o senador José Andrade Vieira se postara em defesa da inovação que iria mudar o perfil da economia paranaense.
Pois, agora, novamente todas as siglas imagináveis -Fiep, Fecomércio, Faep, Faciap, etc. - encaminharam manifesto à ministra Gleisi Hoffmann, da Casa Civil, sugerindo que ela, por um silogismo, estaria travando demandas paranaenses quando, na verdade, o Paraná é inadimplente contumaz em convênios e obrigações fiscais. É surpreendente o tal do paranismo, puramente emocional, justificar esse tipo de arregimentação, ratificando a postura do governo de que a culpa dos dramas vividos é do governo federal, estribilho puramente eleitoral.
O Paraná é infrator de normas fiscais, como a relativa aos gastos com pessoal, que nem o bloqueio leva o poder estadual a conter sua cupidez e reeducar-se. E o pior é que essas instituições ratificaram, como se verdadeira fosse, a alegação de que há uma conspirata da União contra o Paraná como insiste Luiz Carlos Hauly ao buscar saída política para um problema técnico que caberia a ele como titular da pasta fazendária encarar e resolver.
Há algo que esses dirigentes de entidades não captam: órgãos como a Receita Federal e Secretaria do Tesouro Macional, são imunes às articulações políticas, como se viu no caso da gigantesca Petrobras que estava impedida de exportar e importar por causa de uma dívida com o Leão superior a R$ 7 bi. Houve uma ação externa, excepcional, para livrá-la do ônus que poderia quebrá-la. Não é assim o caso do Paraná uma demanda que se resolva por essa via simplificada, embora a boa vontade das classes empresariais, revelando indulgência com um governo que age fora das normas e distante das suas obrigações.

Autofagia
Isso que aí está, sim, é autofagia explícita: constrange-se uma ministra da terra para prejudicá-la politicamente em nome de uma coisa vaga e mal justificada como se ela tivesse um poder majestático acima das exigências burocráticas que o Paraná esnoba.

Ministros
Cabe uma observação: o Paraná ganha quando tem ministros? Parece que não. Tivemos três da Saúde, três da Educação e o Hospital de Clínicas é o único que não tem o pagamento do seu pessoal por via ministerial.

Teresa
Teresa Urban nos deixou e, mesmo adoentada, acompanhava movimentos sociais até à vigésima quinta hora. Seu recente parecer contra a reabertura da Estrada do Colono bloqueou a sua tramitação na Câmara Federal. O recurso foi da deputada Rosane Ferreira. Pouco antes de morrer falou sobre movimentos sociais com o vereador Paulo Salamuni. Fez até amável ironia: num momento desses, Paulo, você vai a uma reunião mundial de escoteiros?

Folclore
Trata-se de um exagero silogístico e de trocadilho transbordado sugerir que a nomeação do Ezequias representa as exéquias do governo Beto Richa.

Real, virtual
Quando o virtual é mais forte que o real, o chupa-cabra avança.

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