LUIZ GERALDO MAZZA
Fidelidade reprovável
Diferenças entre a presidente e o governador: ela faz faxina, afasta ministros de raiz como Palocci, da hierarquia do sistema e da cota de Lula.
Beto Richa, ao contrário, renova o apoio aos que infringem a lei como se dá com o seu chefe do Cerimonial, o Ezequias Moreira, aquele que montou um vaso comunicante com o salário da sogra-fantasma, para tirá-lo do processo a que responde por improbidade e com isso ganhar tempo antes da sentença, já que tal pode se dar em meio à campanha eleitoral, nomeando-o a um novo posto.
Há quem possa ver qualidade no gesto do nosso governador no fato de render-se ao impulso da amizade que se iniciaria com o seu pai e até entenda que Dilma, ao revés, lançou irmãos de causa e de lutas às feras do Coliseu romano, enfim os abandonou ao matracar da mídia golpista. Beto é mais ousado: pelo ato praticado, a renomeação de um infrator da lei, iria bem mais longe do que a presidente nomeando Zé Dirceu e Genoíno para o ministério.
Nesse particular o senso de fidelidade do governador é insuperável. Poderia até sair em meio às passeatas com o dístico Eu sou fiel!.
Possível e desejável
Há uma distância entre o possível e o desejável nas lutas políticas tanto as feitas dentro dos parâmetros da lei e da ordem como das que extrapolam e caminham pelas franjas da utopia como a dos momentos vividos. Baixar a tarifa, que Requião prometeu e não conseguiu no pedágio e isso também não o levou ao ato extremo de acabá-lo, é mais possível no caso dos ônibus e metrô do que o passe livre. Esses dois planos revelam o caráter multifacetado da pressão das ruas: como a tarifa baixou foi o suficiente para que o Movimento Passe Livre contabilizasse o feito e acumulasse energia para novas lutas e tirasse o time das manifestações pelo risco de assumir o ônus dos vandalismos até por ter sido a origem de tudo num plano mais racional. Não houve recuo, mas uma saída estratégica pela visibilidade de ser impossível conter os que enxergam a depredação e os saques como objetivo, isso num caso em que não há distância entre possível e desejável.
Meia-sola
Um setor minoritário que apoiou Fruet queria saídas radicais para controle do cartel dos transportes, devassa e até extinção do ICI (sem ele, alertam os tradicionalistas, Curitiba para) e intervenção nos abusos imobiliários que hoje decidem a política de usos do solo e pretendia, também, cancelar as concessões de táxis, atribuindo-as só aos que com eles trabalhassem. Teremos meia-sola em tudo, a começar da lenga-lenga dos táxis com os 750 carros novos que encontrará resistência até na justiça; no ICI negociações para baixar preços e alguma mediação, via Ippuc, no adensamento de edificações. O problema dos transportes não está só no cartel, mas fundamentalmente na Urbs e na provável relação incestuosa de tantos anos, inclusive com a Câmara Municipal, agora tentando se reabilitar com a CPI, uma espécie de purgação de culpas.
Apelo
Federações da Indústria, da Agricultura, do Comércio mandaram mensagem a Gleisi Hoffmann, da Casa Civil, para que desate os nós dos empréstimos e da liberação da recursos em favor de Beto Richa. O beque de espera é outro: a Secretaria do Tesouro Nacional de olho nos inadimplentes e nas desídias.
Folclore
Toni Reis, do Grupo Dignidade, já protocolou pedido de aposentadoria ao INSS por auxílio-doença já que é homossexual desde 1970. Para a discriminação, nada melhor do que o humor. Que é a forma de não perder a ternura, conforme o Chê.





