Pactos na insurgência
Ao que se saiba, pelo menos até o momento, o Brasil não está em guerra civil: a quadra, vivida pela Grande Curitiba, é mais desafiadora com seus 15 mil desabrigados por causa das cheias, 14 mil só em São José dos Pinhais, do que o impacto provocado pelas massas na rua como se despertassem de um sono profundo - o do conformismo. Pois não há, na tradição brasileira, pré-condições para pactos acenados pela presidente Dilma numa busca desesperada de algum horizonte em meio à encenação do caos. Foi em cima de uma crise mais aguda que a Espanha optou pelo Pacto de Moncloa e que realmente abriu perspectivas amplas de um ajuste de classes, do capital e trabalho, da autoridade e o cidadão, do contribuinte e o erário, uma acomodação de conflitos.
O ceticismo militante de Beto Richa, ao afirmar que a convocação daria em nada e que visava apenas a partilha de responsabilidades com prefeitos e governadores, traduzia o sentimento geral da população que se sente irrigada pela sinergia das manifestações. Aproveitou para repetir o refrão que usa como desculpa: o de que a causa da crise que enfrenta é a desatenção da União e não a gastança e prodigalidade do baile da ilha fiscal interno.
Agiu bem, no entanto, ao vetar o aumento da energia em 14% solicitado pela Copel e aprovado pela Aneel, posto que o governo esteja afundado numa crise financeira sem saída, apesar da aparência dos seus integrantes como sempre em lua de mel com a euforia de ter ganho a Copa do Mundo antes dos jogos.

Desmoralização
A convocação da Constituinte para a Reforma Política desmoraliza o Congresso. A despeito de sua aliança inquebrantável com o Executivo. Mas quem tem Renan Calheiros a presidi-lo tem tudo para expressar a impotência, pois se qualquer forma de democracia direta valesse ele já estava cassado e pela tese da ficha limpa, depois de tocado pela porta dos fundos, jamais poderia retornar pela porta da frente como aconteceu. Plebiscito e referendo, uma dose de chavismo.

Enquetes
Rádios têm feito enquetes sobre a credibilidade dos políticos em função das passeatas: Beto Richa e Gustavo Fruet em baixa, apesar da eleição recente.

Oportunismo
Tanto na Câmara Municipal de São Paulo como na daqui se pretende comissão de inquérito para apurar lucros das empresas de transporte. Hoje há um fato novo na existência de conflito no interior das concessionárias, algumas defendendo até a estatização do sistema, atrito entre elas e a Urbs e o andamento de auditagens contra a gerenciadora, dona da caixa preta. Fruet tem hoje meios que faltaram a seus antecessores para chegar à transparência e não tem os fatores de comprometimento com as permissionárias, como se dava antes.

Folclore
Num só dia, no Brasil, depredaram o Itamarati e o Alvorada, o que levou o Tusca, Ayrton Baptista Júnior, da CBN, a fazer analogia com marcas de café, alegando que a qualquer momento é chegada a vez do Damasco.

Carcerárias
O governo estadual quer zerar o deficit carcerário até 2014, mas tem forte obstáculo: a Lei de Responsabilidade Fiscal que o impede de contratar agentes penitenciários e, especialmente, os quadros da Defensoria Pública, esta imposta pelo CNJ, até hoje não constituídos.

PEC 37
No Paraná, em momento algum, se viu o Ministério Público ou delegado de Polícia tentando coibir a improbidade governamental. Empate afetivo.

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