LUIZ GERALDO MAZZA
Agito e terrorismo
Qual o limite entre o agito juvenil, que tomou conta do país, e o terror? Muitos pensaram nisso ontem quando perceberam a mobilização em Fortaleza onde o Brasil enfrentou o México. Dá para imaginar uma saturação diante do Castelão capaz, por exemplo, de dificultar ou até impedir o jogo. Obviamente que se trata de uma hipótese remota, pesadelo ou sonho, mas que como golpe operaria como a mais forte das denúncias e isso em escala mundial. Para o governo federal, cioso dos compromissos que assumiu com a Fifa, seria algo próximo da tragédia dos Jogos Olímpicos de Munich, ainda mais com o fervor do ministro dos Esportes, Aldo Rebelo, hoje mais vidraça do que pedra.
Na verdade a luta contra os dispêndios da Copa é bem mais abrangente do que a das tarifas de ônibus, embora a pertinência do tema no cotidiano das pessoas, porque, antes de tudo, ela evidencia a inexistência de noção de prioridades num país minado na questão social com a precariedade da saúde e educação e ainda da segurança. É, portanto, denúncia maior do que a da inflação, ínsita no reajuste dos transportes. Da mesma maneira que a maioria dos participantes não anda de ônibus, também os usuários do transporte não têm como ir aos jogos da Copa das Confederações por causa do seu alto custo, coisa de primeiro mundo que o Brasil sabidamente não é.
Invadir estádios seria uma ousadia maior do que ocupar palácios ou sedes de governo e de prefeituras com efeitos mais devastadores do que aquela onda em cima da cúpula do parlamento em Brasília. Até quando haverá fair play das autoridades policiais não sabemos. A China, com toda a sua tradição secular de paciência para chegar ao posto de segunda potência mundial, não aguentou uma semana de ocupação pelos jovens da Praça da Paz Celestial: eram milhões que comparados com a população pareciam numericamente desprezíveis. Se ferissem o jovem que encarou o blindado, na foto que correu o mundo, seria uma tragédia como dizia Stalin, mas a morte de alguns milhões se trataria de estatística. Só com a coletivização agrária forçada matou seis milhões.
Vai pagar
Copel havia se comprometido em erguer a cúpula da Baixada, que implicaria em cerca de R$ 20 milhões. Como ela está se recusando, o Atlético vai ganhar essa parada na justiça. Mais um jorro de recursos públicos no Paraná em crise em cima de uma banalidade.
Digitalismo
Há uma crise ameaçando os cursinhos de pré-vestibular: ora a oscilação das safras, que reduz número de alunos, ora o uso inteligente da internet que os torna dispensáveis.
Gol contra
Projeto do deputado Scanavaca que passava os débitos de luz e água ao HC, Hospital de Clínicas, à responsabilidade do governo federal caiu. Em qualquer unidade da federação, que se fizesse isso, os deputados não poderiam andar na rua porque no mínimo seriam vaiados se não agredidos. Como se vê o clima das manifestações juvenis, como background, soa inútil. E o governo Beto Richa está por fora disso tudo e quem tem esse tipo de aliado dispensa oposição.
Folclore
Frase tem seu momento: Ronaldo Fenômeno, anos passados, teria afirmado que não se poderia imaginar praticar futebol em hospital. O que tinha sentido nas preliminares da Copa é agora, no momento da insurgência, fator de cobrança de responsabilidades, em gravações na internet, tantas vezes a metáfora tem sido usada: Seu filho está doente? Leve-o aos cuidados de um estádio.





